

Olhem bem, prestem atenção. Fico aqui, cá com meus botões, observando a animação da turma que anda se apegando à candidatura de Ciro Gomes a governador do Estado do Ceará, em 2026, como tábua de salvação. Ciro, por saber usar muito bem as mídias sociais, tinha mesmo que pontuar positivamente nelas neste estágio inicial. Outro fator é que vem de eleições seguidas em que se candidatou à Presidência da República, sem sucesso, mas com seu nome constantemente exposto. Daí decorre sua boa pontuação neste primeiro momento, quando ainda nem adentramos, propriamente, no ano eleitoral.
Exemplos temos de sobra para empanar o brilho nos olhos de seus torcedores, que possuem apenas a figura dele como garantia de que seus projetos eleitorais, se eleito for — bom que se diga —, darão certo.
Para os bem-entendidos da política, é fácil chegar à dedução de que Ciro Gomes é um político em declínio. Seus discursos já não convencem o público como no passado; sua metralhadora giratória já não consegue abater o inimigo. É, na realidade, um político em final de carreira e que, se ainda tiver um pouquinho de juízo, poderá se aposentar da política disputante para se transformar em um excelente consigliere, e nada mais.
Assim vem se posicionando Tasso Jereissati que, após concluir o seu último mandato de senador, anda atuando como articulador político, inclusive de Ciro Gomes. Após as eleições de 2026, os dois poderão perder até mesmo essa condição de conselheiros.

Mas vamos às sequências de derrotas de Ciro Gomes nos últimos tempos, que nos levam a acreditar que chegou a sua hora de o calvíssimo carinha encostar as chuteiras:
1 – Quatro vezes candidato à Presidência da República, não conseguiu obter musculatura política suficiente para suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como liderança da centro-esquerda. Na sigla de Leonel Brizola (falecido em 2004), o ex-ministro concorreu duas vezes à Presidência (em 2018 e 2022) e, na última disputa, após receber apenas 3,04% dos votos, ficou em quarto lugar no primeiro turno.
2 – Nas eleições cearenses, os descaminhos foram ainda mais evidentes. Sentindo-se ainda o “Senhor dos Anéis”, chutou o pau da barraca e resolveu romper com aliados de longa data, como seu irmão Cid Gomes e Camilo Santana. Todos os cearenses que têm um pouquinho de neurônio na cabeça sabem muito bem que Ciro Gomes adora ser causador de tragédias. Esquecendo-se de tudo o que construiu ao lado desses aliados, carregou a tiracolo o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, lançando-o candidato a governador em 2022, em enfrentamento ao candidato de Cid Gomes, Camilo Santana, e da então governadora Izolda Cela: o, à época, pouco conhecido deputado estadual Elmano de Freitas. No campo da oposição estava também o Capitão Wagner. Depois de marchas e contramarchas, com Elmano iniciando a jornada aparentemente por baixo, veio um resultado inusitado: Elmano de Freitas venceu a eleição em primeiro turno. O Capitão Wagner ficou em segundo lugar, e Roberto Cláudio, em terceiro. Ou seja, o candidato de Ciro ficou em último lugar, demonstrando que sua força eleitoral em um pleito majoritário no Ceará é semelhante à do Capitão Wagner, que costuma começar bem nas pesquisas e depois despenca.
3 – Mas sigamos adiante. Nas eleições municipais de 2024, em Fortaleza, Ciro mais uma vez se arvora a enfrentar Cid Gomes, Camilo Santana, Elmano de Freitas e Lula, aderindo à reeleição do então prefeito José Sarto Nogueira. Desilusão, meu bem: ao acordar após a apuração, percebeu que estava sozinho. Seu candidato ficou na lanterninha; em segundo lugar ficou o candidato do PL, André Fernandes; e, em primeiro, o deputado estadual petista Evandro Leitão. Mais uma prova de que Ciro Gomes já não possui substância política.
4 – O que ainda move Ciro Gomes a cogitar uma disputa governamental no próximo ano seria a possibilidade de ocupar espaço no campo da centro-direita, contando com estrutura partidária e recursos que viabilizem sua candidatura. O melhor caminho seria a Federação União Progressista. Contudo, esse “chega mais” vem sendo desconstruído em Brasília. Lula e Camilo Santana estão convencendo o União Brasil a permanecer com o PT e seus aliados cearenses, uma vez que o PP já se encontra alinhado ao petismo no Estado. Caso não consiga atrair a Federação União Progressista para sua postulação, arre égua (!), pernas para que te quero, pois não haverá argumentos, pesquisas ou outros que tais capazes de empurrar Ciro para essa disputa. Ele fareja um claro sinal de emboscada política, que serviria apenas para alavancar projetos de figuras que, até bem pouco tempo atrás, ele esculhambava pelos quatro cantos do Ceará — e vice-versa, e coisa e tal. O filho mais velho de Euclides Ferreira Gomes (saudoso), com certeza, não tem aptidão para se sacrificar em nome de um “ninguém”. É um homem prático e objetivo.
5 – Só para lembrar: a criação da Federação União Progressista reúne 109 deputados federais, o que resulta em uma das maiores fatias do Fundo Eleitoral, capaz de sustentar essa hipotética candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará, sem falar no robusto espaço de propaganda eleitoral. Sem isso, adeus, Maria Preá.

Para finalizar: o PSDB, partido ao qual Ciro retornou, enfrenta, por sua vez, um período de incerteza no Ceará, em razão da perda de lideranças e até do risco de perder o acesso ao financiamento público no pleito de 2026. Para agravar a dificuldade dessa estorinha, o desafeto a quem Ciro tanto dirigiu impropérios — chamando-o de picareta, ladrão e afins —, após a entrada de Ciro no tucanato, resolveu voltar à tona e foi guindado pelas lideranças do PSDB à condição de articulador do partido nas eleições presidenciais e estaduais brasileiras.
Trata-se de Aécio Neves, que, desde 2018, foi expulso da vida pública pelo povo de Minas Gerais, seu estado natal. Como irá se explicar Ciro Gomes ao esculhambar ou criticar lideranças que proclama marginais, tendo ao seu ladinho alguém que foi afastado da vida pública justamente por se comportar nesse desalinho? Meu Deus! Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, periferia política!






