

A movimentação política de Ciro Gomes voltou a agitar os bastidores no Ceará. Mesmo ainda distante do período eleitoral, o ex-ministro — atualmente no PSDB e pré-candidato ao Governo do Estado — declarou voto em José Sarto para deputado federal, atitude considerada incomum no cenário político.
A antecipação do apoio chama atenção justamente por partir de um pré-candidato ao Executivo estadual. Tradicionalmente, nomes que disputam o governo evitam se posicionar de forma tão direta em pré-candidaturas proporcionais neste estágio, buscando manter equilíbrio entre aliados e possíveis composições futuras.
A escolha por Sarto também gerou incômodo entre outros pré-candidatos, especialmente dentro do mesmo campo político. Setores da direita esperavam apoio a André Fernandes, que vinha atuando para aproximar o PL de Ciro, numa tentativa de viabilizar o nome de Alcides Fernandes — seu pai — como candidato ao Senado dentro do grupo cirista. Essa movimentação, inclusive, vai de encontro à posição de Michelle Bolsonaro, que é contrária a uma aliança com Ciro Gomes.
Outro ponto que reforça a complexidade do cenário é o fato de Ciro já ter declarado voto não apenas em Sarto, mas também em Alcides Fernandes e Capitão Wagner para o Senado, caso estejam entre os nomes confirmados na disputa. A sinalização amplia as interpretações sobre sua estratégia política e possíveis alianças.
José Sarto, por sua vez, segue como figura relevante após sua passagem pela Prefeitura de Fortaleza. Ele entrou para a história como o primeiro gestor da capital a não conseguir avançar ao segundo turno em uma tentativa de reeleição, ao terminar a última disputa municipal na terceira colocação.
O gesto de Ciro, portanto, não apenas fortalece o nome de Sarto para a Câmara Federal, como também reposiciona alianças e amplia as incertezas sobre a formação dos blocos políticos para 2026.





