

Uma coisa quero deixar bem clara aos meus caríssimos leitores: embora este colunista não concorde com o estilo agressivo, intempestivo e, por vezes, inconsequente do ex-governador Ciro Gomes (PSDB), derrotado na recente disputa pelo Governo do Ceará, não acredito que ele seja oportunista a ponto de aderir ao bolsonarismo em troca de cargos ou posições políticas num hipotético governo de Flávio Bolsonaro (PL).
E digo mais: Ciro Gomes, com todos os seus defeitos e virtudes, construiu uma trajetória política que não combina com esse tipo de negociata. Os cargos de destaque que ocupou em governos anteriores foram conquistados por sua experiência, capacidade administrativa e afinidade política com aqueles que o convidaram para integrar suas equipes.
Por isso mesmo, essa boataria de que Ciro estaria disposto a apoiar Flávio Bolsonaro em troca de um ministério me parece uma conversa pra lá de atravessada. Afinal, durante a campanha eleitoral, o próprio Ciro usou e abusou do argumento de que Camilo Santana teria se afastado politicamente de seu irmão Cid Gomes em troca de um ministério no governo Lula. Ora, meus queridos, seria uma contradição monumental condenar nos outros aquilo que depois se estaria disposto a praticar!
E tem mais! Não pegaria absolutamente nada bem para Ciro Gomes aceitar uma proposta dessa natureza, sobretudo partindo do filho de um político que ele tanto combateu ao longo dos últimos anos. Não podemos esquecer que o próprio Ciro demonstrou resistência a uma aproximação com Flávio Bolsonaro durante o primeiro turno, justamente pelas profundas divergências que sempre manifestou em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à maneira como sua família atua na política brasileira.
Seria, portanto, uma guinada de fazer qualquer observador político cair da cadeira!
Conhecendo a trajetória pública do filho dos saudosos José Euclides e dona Mazé, prefiro acreditar que ele não embarcará nessa canoa. Ciro pode ser explosivo, destemperado nas palavras e até exagerado em suas investidas políticas, mas daí a jogar pela janela suas convicções para conquistar um ministério existe uma distância enorme.
Sua irmã, a deputada estadual reeleita Lia Gomes, também aposta que ele não seguirá esse caminho e deverá manter uma posição de neutralidade na disputa presidencial.
E, convenhamos, seria a saída mais coerente para quem passou boa parte da vida política combatendo determinadas práticas e personagens que hoje representam o bolsonarismo.
Este colunista continuará discordando de Ciro Gomes quando considerar necessário, mas não deixará de reconhecer nele qualidades que seus adversários, muitas vezes, preferem ignorar. Uma coisa é combater suas posições políticas; outra, bem diferente, é acreditar que ele esteja disposto a negociar sua história em troca de uma cadeira ministerial.
Prefiro acreditar que Ciro Gomes ainda sabe distinguir uma oportunidade política de uma aventura que poderia comprometer sua própria biografia.
Sendo assim, estamos para lá de conversados!
Sorry, periferia política!!!!







