

Sinceramente! É de fazer chorar — ou de rir, dependendo do ponto de vista — quando observamos os comitês eleitorais e os eventos de campanha do governamentável Ciro Gomes (PSDB) e praticamente não encontramos menção ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O curioso é que Ciro conta com o apoio do PL no Ceará, mas vem mantendo sua campanha estadual distante da disputa presidencial. E aí surge uma situação, no mínimo, embaraçosa para parte dos bolsonaristas cearenses: de um lado, estão no palanque que apoia Ciro; do outro, gostariam naturalmente de ostentar bandeiras, adesivos e material de campanha de seu presidenciável, Flávio Bolsonaro.
E agora surgiu mais um capítulo dessa novela política.
Ciro Gomes entrou em rota de colisão com Chagas Vieira, coordenador da campanha do governador Elmano de Freitas (PT), acusando-o de divulgar nas redes sociais uma imagem sua alterada por Inteligência Artificial. Segundo a equipe do tucano, a publicação mostrava Ciro com um adesivo relacionado a Flávio Bolsonaro no lugar do adesivo original utilizado pelo candidato ao Governo do Ceará. Ciro classificou o episódio como manipulação da realidade e anunciou que levaria o caso à Justiça Eleitoral.

Ciro Gomes foge dos bolsonaros como o capeta foge da cruz
Vejam só a confusão política!
Ciro recebe o apoio do PL no Ceará, tem em sua aliança importantes nomes ligados ao bolsonarismo, mas procura manter distância da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Tanto que, durante a passagem do presidenciável pelo Ceará, não houve encontro de campanha entre os dois.
Aliás, a distância parece ser de mão dupla. Em sua passagem pelo Ceará, Flávio Bolsonaro também evitou pedir votos publicamente para Ciro, embora o PL esteja formalmente no campo político que sustenta a candidatura do tucano ao Governo do Estado.
É aí que está a grande contradição política dessa aliança: estão juntos na eleição estadual, mas separados quando o assunto chega à disputa presidencial.
E os bolsonaristas mais entusiasmados, acostumados a extravasar seu apoio com bandeiras, adesivos, camisas e palavras de ordem, ficam numa situação pra lá de curiosa: apoiam Ciro para governador, mas encontram um candidato que faz questão de não transformar seu palanque em extensão da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
É uma aliança eleitoral que funciona até determinado ponto. Quando chega na eleição presidencial, cada qual parece querer cuidar do seu próprio terreiro.
Arre égua! Desse jeito, daqui a pouco vai ser preciso desenhar um mapa para explicar quem apoia quem, onde apoia e até onde pode apoiar.
Vôte!!!





