

Tão doidos, doidivanas demais! Falo da reação do governamentável Ciro Gomes (PSDB) e do senatoriável Capitão Wagner, dois personagens da política cearense que, diante do revés eleitoral, resolveram contestar o resultado das urnas. Pelo visto, aceitar uma derrota não é tarefa das mais agradáveis para quem passou boa parte da vida desfrutando dos holofotes e das atenções que a atividade política proporciona.
E olhem, caríssimos leitores, que a política brasileira se transformou numa verdadeira passarela de vaidades, prestígio e privilégios. Há quem enxergue na vida pública não apenas uma oportunidade de servir à população, mas também um caminho para conquistar projeção social, influência e as famosas mordomias do poder. Até empresários e industriais resolveram pegar carona nessa cauda de cometa, buscando alcançar essa espécie de Via Láctea à brasileira.
Mas voltemos aos nossos personagens. Ciro Gomes e Capitão Wagner, depois de protagonizarem uma campanha marcada por confrontos, acusações e discursos duríssimos contra os adversários, resolveram questionar o resultado eleitoral no Ceará. É direito de qualquer candidato recorrer aos instrumentos legais, naturalmente. Entretanto, contestar uma eleição exige apresentar provas consistentes, e não apenas manifestações de inconformismo.
O que me chama a atenção nessa história é a dificuldade que determinadas figuras públicas demonstram em compreender que o poder não é propriedade particular de ninguém. O mandato tem prazo de validade, os eleitores possuem liberdade de escolha e a democracia não foi inventada para satisfazer eternamente as ambições de quem deseja permanecer no centro das atenções.
E tem mais! Existe também aquela turma dos bajuladores de plantão, sempre pronta para cercar os poderosos de elogios, reverências e salamaleques. Quando o prestígio eleitoral desaparece, muitos desses personagens somem como num passe de mágica. É a velha história: enquanto existe poder, sobram amigos; quando ele se vai, até o telefone parece perder a capacidade de tocar.
Agora, Ciro Gomes e Capitão Wagner terão de decidir como pretendem conduzir suas trajetórias políticas fora dos mandatos que disputaram. Poderão continuar participando do debate público, exercer oposição ou simplesmente recolher-se por algum tempo à tranquilidade do doce lar.
Afinal, passar de protagonista a espectador também faz parte da vida democrática. E não existe desonra alguma nisso.
Como gosta de dizer a rapaziada, quando o resultado não corresponde às expectativas: “Perderam, manés!”
E este colunista acrescenta, com sua irreverência de sempre:
SORRY, PERIFERIA POLÍTICA!!!!!





