

Primeiro, Ciro Gomes tentou colocar o irmão, Cid Gomes, contra Camilo Santana. Não deu certo. Depois, tentou de todas as formas colocá-lo contra o governador Elmano de Freitas — e também não deu certo. Quando Cid Gomes se indispôs com o governador cearense, chegando a revelar que havia rompido com ele, o ex-presidenciável se meteu onde não devia, disposto a melar o convívio do irmão com Camilo Santana e Elmano de Freitas. Afinal, era seu papel provocar uma cisânia dentro do grupo governista para que sua candidatura ao Governo do Estado se estabelecesse. Como essas estratégias não funcionaram — e, claro, ele não assumiu que seria candidato — passou todo o tempo promovendo expectativas quanto ao assunto.
Outro fator que vem pesando bastante para que Ciro Gomes não assuma a guerrilha eleitoral contra a situação é a insistência do senador Eduardo Girão em manter sua postulação ao Governo do Estado. Ele imaginava que esvaziaria por completo essa candidatura com a capitulação da ala considerada mais robusta da direita. Por isso, tentou de todas as formas trazer para o seu ninho o deputado federal André Fernandes, seu pai, o deputado estadual e candidato ao Senado Alcides Fernandes, Capitão Wagner e o deputado estadual Carmelo Neto, que até hoje manteve o pudor de não se declarar partícipe dessa união entre PSDB, PL e União Brasil. O xeque-mate nessa cartada veio com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão ao Governo do Ceará. A esposa de Jair Bolsonaro criticou peremptoriamente essa aproximação entre membros da direita e tucanos cearenses. Até hoje, essa desdita de Michelle provoca estragos no avanço dessa união.
Nos últimos dias, Ciro Gomes, refletindo consigo mesmo, iniciou uma operação que lhe ofereça condições dignas de se livrar dessa candidatura sem provocar, naqueles que nele acreditaram como o gênio que surgiria de uma lâmpada maravilhosa, frustração ou descrédito. Tanto que, na última sexta-feira, 27 de fevereiro, o tucano comentou as anotações do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), que citam o PL na chapa de Ciro no Ceará: “O PL já fez que vinha e não veio duas vezes. Vamos ver se eles fazem que vêm na terceira e vêm mesmo. Vamos ver”.
Sobre Roberto Cláudio (União Brasil) postular uma das vagas ao Senado pela oposição — possibilidade sinalizada nas anotações do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — Ciro voltou a reafirmar que RC é seu candidato ao Governo.
“Evidentemente que o que está em jogo aqui não é o meu querer, nem o dele. O que está em jogo é o destino do estado do Ceará. Se a gente não achar um caminho para que esse movimento interrompa esse itinerário de tragédia, talvez não encontremos mais o caminho”, previu.
Contudo, o ex-prefeito de Fortaleza sabe muito bem que não há clima para uma postulação sua nesses moldes. Ainda ressabiado da última eleição estadual, acreditou no potencial de Ciro Gomes para torná-lo governador e, ao contrário do que pensava, foi empurrado para a lanterninha da disputa, ficando atrás de Elmano de Freitas e Capitão Wagner. As pesquisas de opinião também o desestimulam bastante.
O caminho, ao que tudo indica, será todos desembarcarem na candidatura do senador Eduardo Girão para tentar salvar o que restará de consistência oposicionista neste estado. Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, periferia política!






