
Fabrício Moreira da Costa

Cid Gomes iniciou sua vida pública partidária com uma derrota nas urnas: concorria a vice-prefeito de sua bela Sobral. Após isso, “se levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima”, como diz a frase popular. E deu mesmo.
Elegeu-se deputado estadual, presidiu por duas vezes a Assembleia Legislativa, foi prefeito de Sobral em duas oportunidades e, depois, Governador, eleito e reeleito.
Registre-se: com excelentes gestões na ALECE, em Sobral e no Estado, consolidou uma marca administrativa respeitada. Por último, chegou ao Senado da República.
Como Ministro da Educação da presidente Dilma, instado a comparecer ao plenário da Câmara Federal e admoestado por políticos do baixo clero e da direita reacionária, olhou nos olhos do deputado Eduardo Cunha e soltou o verbo: “quem é oposição, segue na oposição; quem é governo é governo. Caso contrário, larguem o osso”. A frase ficou na história e nos anais daquela Augusta Casa. Depois entregou honestamente, de cabeça erguida, o cargo de ministro.
Cid é uma figura moralmente elegante, de bom trato com todos e muito atencioso. Um verdadeiro gentleman. Todo mundo gosta dele. Após essas estradas percorridas, chegaram as eleições estaduais. Cid e Ciro, além de alguns amigos envolvidos, romperam politicamente. Cid subiu a Serra da Meruoca, seu tugúrio campal, e por lá permaneceu durante toda a peleja eleitoral.
Deu algumas explicações, dentre elas a de não romper, no plano pessoal, com seu irmão Ciro. Parece que não adiantou muito: Ciro, vez por outra, ainda o expõe em suas falas, mostra cicatrizes que parecem incuráveis e “segue olhando todos os dias para o retrovisor”.
Por isso, neste ano muitos especularam quais seriam os passos de Cid Gomes, senador e grande líder cearense. Em entrevista exclusiva ao Portal Ceará Notícias, veio a resposta firme que muitos queriam ouvir:
“Estou com Elmano à reeleição. E, se couber a mim a tarefa de ser um dos coordenadores de campanha, também estou pronto”.
Quem esperava, no “café da tarde”, que Cid ficaria em cima do muro – ou que dividiria palanque com quem sempre o apedrejou – caiu, com muro e tudo, na equivocada expectativa.







