Bela Megale
O Globo

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, buscou poupar os ministros da ala militar do governo anterior em sua delação premiada. Essa é a avaliação feita por membros do Judiciário e investigadores à coluna.
Em sua delação, o tenente-coronel implicou diretamente Bolsonaro, detalhando reuniões que o ex-presidente fez para debater uma minuta golpista, mas evitou apresentar elementos consistentes que envolvessem militares que integraram a Esplanada dos Ministérios.
APENAS CITADOS – Ex-ministros que são generais da reserva chegaram a ser citados de “maneira superficial”, segundo envolvidos na negociação do acordo de Cid, mas não são o foco principal dos relatos.
O próprio pai do ex-ajudante de ordens, o general Mauro Lourena Cid, levou a colegas da caserna que fizeram parte do governo Bolsonaro o recado de que não eram o alvo dos relatos. Depois que a homologação do acordo veio à tona, Lourena Cid trocou de telefone e submergiu, como informou a coluna.
Isso não significa, porém, que esse grupo está fora do radar das investigações. A Polícia Federal tem outras frentes de apurações e provas que implicam membros da ala militar do governo Bolsonaro, independentemente da delação de Cid.
UM MINUTO POR FAVOR: Há quem acredite em punição de generais bolsonaristas, mas minha ironia não chega a tanto. Já entramos na parte final de outubro, até agora não tem envolvimento de general em inquérito, quanto mais incriminação em processo. Aceito aposta. Nenhum deles será condenado. O Supremo prefere se divertir rotulando de “terroristas” aquelas vovozinhas que foram enganados pelo lobo mau e invadiram as casas dos porquinhos. Para mim, terroristas são os militantes do Hamas, do Hezbollah e do Estado Islâmico, que mais parecem diabos envolvidos em supostas guerras santas. E o resto é folclore, como diz Sebastião Nery.







