

Ciro e Elmano apontaram o dedo um para o outro durante discussão em debate. O candidato tucano sente dificuldades de enfrentar os novos adversários que não se intimidam diante de sua verborragia inconsequente.
O governamentável Ciro Gomes (PSDB), que em eleições estaduais passadas se acostumou a elevar o tom contra seus adversários, com ataques, acusações e narrativas bastante duras, parece encontrar atualmente um cenário político bem diferente daquele de outros tempos.
Antes, Ciro desfrutava de enorme poder político no Ceará e enfrentava uma oposição que, muitas vezes, não demonstrava a mesma disposição ou capacidade para responder imediatamente às suas investidas. Agora, porém, o jogo mudou.
É interessante observar, inclusive, o comportamento de setores da direita bolsonarista que hoje estão no mesmo campo de oposição ao grupo governista. Ciro abre o verbo contra antigos aliados, hoje transformados em adversários, mas nem sempre seus novos companheiros políticos embarcam em seus destemperos verbais. Quando elevam o tom das críticas, procuram fazê-lo com seus próprios argumentos, sem necessariamente aderir ao nhenhenhém que tantas vezes caracteriza as declarações mais explosivas do candidato tucano.
E foi justamente uma dessas declarações que roubou a cena no debate promovido pelo Ponto Poder, do Diário do Nordeste, na semana passada.
Durante o confronto, o governador Elmano de Freitas (PT) relembrou a polêmica frase atribuída a Ciro Gomes: “médico é como sal: branco, barato e se encontra em qualquer esquina”. A declaração remonta ao período de uma greve de médicos no Ceará, no início dos anos 1990.
Ciro negou ter pronunciado a frase e foi além: afirmou, durante o debate, que renunciaria à candidatura caso ficasse comprovado que realmente a tivesse dito.
Pronto! A partir daí, criou-se uma expectativa política inevitável.

Na versão apresentada pelo tucano, a frase teria sido criada pelo médico Francisco Monteiro, o conhecido Chico Passeata. A controvérsia, contudo, ganhou um novo capítulo quando familiares do médico foram às redes sociais contestar essa versão. Segundo eles, Chico Passeata não teria criado a declaração, que teria partido do próprio Ciro durante a greve dos médicos de 1992.
Diante disso, surge a pergunta que não quer calar: e agora, Ciro?
Se o candidato colocou publicamente sua própria candidatura como garantia de que jamais pronunciou aquela frase, cabe a ele esclarecer definitivamente o episódio e apresentar elementos que sustentem sua versão. Afinal, uma promessa feita diante dos eleitores em pleno debate não pode simplesmente desaparecer quando as câmeras são desligadas.
Se ficar demonstrado que a declaração realmente foi feita por ele, sua própria promessa de renúncia passará inevitavelmente para o centro do debate político cearense.
Por enquanto, a palavra está com Ciro Gomes.
E nós ficamos aguardando para saber se haverá explicação, comprovação ou despedida.
Sendo assim, estamos para lá de conversados.
Arrivederci, Ceará!








