
Lauriberto Pompeu
O Globo
Com expectativa de eleger uma das maiores bancadas na Câmara desde a redemocratização, o PL teve ontem os campeões de votos nos maiores colégios eleitorais do país. Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira quase triplicou sua votação em comparação ao pleito passado e ultrapassou a marca de 3,1 milhões de votos — o melhor desempenho da História, ultrapassando a marca de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em 2018.
Já o PT despontava na noite de ontem como a segunda maior legenda da Casa, mas em um cenário ainda incerto. Até o fechamento desta edição, 286 de 513 deputados foram confirmados eleitos.
EXPECTATIVA – Entre parlamentares, há expectativa de fortalecimento de partidos do Centrão, como a federação União-PP e Republicanos, com a consequente formação de um grande bloco de direita e centro-direita.
Esse cenário seria ainda mais difícil para uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por outro lado, a composição com um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL), candidato que saiu na frente no primeiro turno, deve ser mais fácil, segundo os próprios parlamentares.
RECORDE DE VOTOS – Atrás de Nikolas, o segundo mais votado do país foi Lucas Pavanato (PL), pelo estado de São Paulo, com pouco mais de três milhões de votos. Pavanato tem a atuação política marcada pela pauta de costumes, como a proibição de mulheres trans em banheiros femininos e a abertura de CPIs contra grupos de moradia.
Criado em uma família evangélica pentecostal, com primeiros discursos feitos na Assembleia de Deus, Pavanato ingressou na política formal por meio do Movimento Brasil Livre (MBL), mas rompeu com o grupo ao se associar ao bolsonarismo.
Também em São Paulo, o segundo lugar ficou Erika Hiton (PSOL-SP), com 1,5 milhão de votos. Na eleição passada, ela foi a primeira deputada trans a ser eleita, junto com Duda Salabert (PDT-MG).
REELEIÇÃO – Com 99,98% das urnas apuradas na Paraíba, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi reeleito entre os cinco deputados federais mais votados do estado. O paraibano teve ao menos 124 mil votos e caminha para o seu quinto mandato, com expectativa de costurar sua reeleição ao comando da Casa.
O cenário nacional marcado por uma onda da direita, porém, pode ser um obstáculo. Motta fez campanha para Lula em seu estado e tem se comprometido com a agenda do atual governo. Apesar disso, aliados de Motta avaliam que ainda é possível uma composição com o PL. É citado o exemplo do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, que apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, mas conseguiu uma aliança com Lula e o PT para ser reeleito presidente da Casa em 2023.
“A Câmara dos Deputados é a Casa do Povo e, independentemente dos resultados, seguirá cumprindo o seu papel inegociável de representar a população, respeitando a Constituição e dialogando por um país melhor”, disse Motta nas redes sociais na noite deste domingo.
PESO POLÍTICO – O entorno de Motta avalia também que há um peso no fato de ele comandar a Casa e ficar no cargo pelo menos até fevereiro de 2027. Esses aliados dizem que o chefe da Casa tem a disposição para atrair os deputados com promessas de cargos, distribuição de apartamentos funcionais e de gabinetes na Câmara.
Motta também conta com a tentativa de aproximação com deputados novatos, que ainda não formaram alianças sólidas em Brasília e têm uma tendência maior de seguir as orientações partidárias.
Motta é herdeiro político de uma das famílias mais tradicionais da Paraíba. Em 2010, foi eleito o deputado federal mais jovem do Brasil, com 21 anos. Na época, ele recebeu 86.150 votos. A família, originalmente ligada ao MDB, tem influência em Patos, município do sertão com pouco mais de 100 mil habitantes.
MEDALHÕES DE FORA – Até o fechamento da edição, estavam longe de conquistar a eleição medalhões da política, como o ex-ministro José Dirceu (PT), em São Paulo, ou o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos) em Minas Gerais. Assim como a eleição de 2022, a de 2026 deve ser marcada pelo empoderamento do Poder Legislativo sobre o orçamento federal.
Apesar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ter acabado com as chamadas emendas de relator, instrumento pelo qual os recursos tinham sua autoria escondida e serviam como moeda de troca para apoio político, o chamado “orçamento secreto” passo a ser investigado nas despesas de emendas de comissão.







