

Economista e professor universitário Lauro Chaves Neto
Este figurão é meu amigo e sou seu fã de carteirinha, pois um economista dessa linhagem não acontece todo o dia. Lauro assina como Chaves por ser filho de Lauro Chaves Filho, que também teve participação ativa na política cearense. Mas é, igualmente, Ayres de Moura, já que seu avô, o saudoso Evandro Ayres de Moura, foi prefeito de Fortaleza durante o governo do coronel Adauto Bezerra e exerceu dois mandatos como deputado federal.
Tenho ligações pessoais com ele, pois seus avós, Evandro e Lauro, eram grandes amigos de meu tio, o jornalista Edilmar Norões.
Atualmente, Lauro é assessor econômico da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). Contudo, o que desejo comunicar aos caros leitores é que essa grandiosa figura concluiu, com avaliação “Excelente”, o pós-doutorado em Estratégia Empresarial pela University of Massachusetts, nos Estados Unidos. Doutor em Desenvolvimento Regional e Planejamento Territorial pela Universidade de Barcelona e professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), o pesquisador contou com o apoio institucional da FIEC ao longo dessa conquista — fator decisivo para a consolidação do trabalho desenvolvido no exterior.
A pesquisa, intitulada “Competitive Advantage and Strategy for Small Businesses and Startups in an Artificial Intelligence Environment” (Vantagem competitiva e estratégia para pequenas empresas e startups em um ambiente de inteligência artificial na tradução direta), analisou como pequenas empresas e startups estruturam suas estratégias competitivas em um contexto de transformação digital acelerada, marcado pela incorporação crescente da Inteligência Artificial (IA) aos negócios.
Durante o período do pós-doutorado, Lauro Chaves manteve uma agenda intensa de atividades acadêmicas e científicas. O trabalho incluiu pesquisa bibliográfica na própria University of Massachusetts, pesquisa de campo com empresas no Brasil e nos Estados Unidos, participação em workshops em instituições de referência como Harvard e MIT, além de palestras em Massachusetts e no Rio Grande do Sul, participação em congresso internacional e produção de artigos e livro sobre o tema.
Segundo o pesquisador, o estudo confirma que a IA vem se consolidando como um dos principais vetores de competitividade e inovação no ambiente empresarial. “Em um cenário global de negócios cada vez mais integrado, desenvolver e implementar uma estratégia coerente deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para o sucesso organizacional”, afirma.
EMPRESAS QUE ADOTAM IA CRESCEM MAIS
A pesquisa revela que 70,19% das empresas entrevistadas já utilizam soluções de IA, enquanto 29,81% ainda não adotaram a tecnologia. Entre as empresas que usam IA, a taxa média anual de crescimento da receita foi de 12,93%, mais que o dobro do registrado pelas não adotantes, que cresceram, em média, 6,23% ao ano.
Além dos números, a análise qualitativa trouxe nuances importantes sobre o estágio de maturidade estratégica das empresas nos dois países. “Identificamos uma mentalidade empresarial ainda difusa, marcada pelos desafios da transição entre modelos tradicionais e estratégias orientadas à inovação”, explica Lauro Chaves. Segundo ele, empresários norte-americanos tendem a definir vantagem competitiva de forma mais objetiva e centrada no produto, enquanto os brasileiros demonstram uma visão mais estratégica e contextual.
As diferenças também aparecem na forma como o valor é entregue ao mercado. “As empresas brasileiras enfatizam atributos de produtos e serviços. Já as norte-americanas adotam uma abordagem mais processual e estruturada”, observa. No campo organizacional, o contraste se mantém: enquanto empresários brasileiros reconhecem dificuldades no alinhamento estratégico, os norte-americanos concentram sua atenção na composição e desempenho das equipes.
Para o assessor econômico da FIEC, embora o entendimento sobre IA seja relativamente semelhante nos dois países, ainda há um longo caminho a percorrer. “O uso da IA segue, em grande parte, um padrão tático e fragmentado. São poucas as empresas que conseguem, de fato, integrar a tecnologia a uma estratégia de longo prazo”, conclui.
A conclusão do pós-doutorado reforça não apenas a trajetória acadêmica de Lauro Chaves, mas também o papel da FIEC no estímulo à qualificação técnica e profissional do capital humano, com reflexos diretos na produção de conhecimento estratégico voltado ao fortalecimento da indústria e do ambiente de negócios cearense.






