

Para este colunista, que já acompanhou várias eleições estaduais, não se torna tão difícil analisar a eleição cearense de 2026. O ex-governador Ciro Gomes (PSDB), embalado pelos índices positivos que uma eventual candidatura ao Governo do Estado vinha apresentando, resolveu deixar de lado, desta vez, a disputa nacional que vinha travando havia alguns anos e retornar ao Ceará na tentativa de reassumir o comando do Palácio da Abolição.
O irmão Cid Gomes (PSB) bem que tentou convencê-lo a seguir outro caminho. Na avaliação de Cid, Ciro deveria voltar suas atenções mais uma vez para a disputa presidencial. Mas Ciro preferiu retornar ao tabuleiro estadual e embarcar numa das mais ousadas decisões de sua trajetória política.
Ciro pegou corda de alguns aliados, destacadamente do ex-prefeito Roberto Cláudio, e resolveu enfrentar uma estrutura política que reúne nomes de grande peso no Ceará, entre eles Camilo Santana, Elmano de Freitas e o próprio Cid Gomes.
Para tornar sua candidatura competitiva, arquitetou uma aliança até pouco tempo considerada improvável com setores da direita e com adversários que, em passado recente, foram alvos de suas duras críticas. É justamente aí que, na minha leitura, reside uma das grandes contradições desta campanha: antigos adversários passaram a dividir o mesmo palanque em nome de um projeto eleitoral comum.
Agora, chegamos à reta final. No próximo domingo, serão os eleitores cearenses — e somente eles — que darão a resposta definitiva nas urnas. Este colunista aposta que a estratégia adotada por Ciro Gomes poderá cobrar um preço político elevado não apenas dele, mas também de aliados como André Fernandes, Capitão Wagner, Alcides Fernandes e Roberto Cláudio. Se essa leitura estará correta ou não, as urnas dirão.
Uma eleição que começou cercada de expectativas, alianças surpreendentes, rompimentos e reencontros políticos chega finalmente ao momento da verdade.
É isso. Fiquem atentos, porque, enquanto os cães ladram, a carruagem passa bem bonitinha.
Sorry, periferia política!!!!






