AO TENTAR CONTER FAKE NEWS CONTRA NOSSA SENHORA, FLÁVIO ACABA AMPLIANDO O DESGASTE

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Luísa Marzullo
O Globo

A reação de Flávio Bolsonaro (PL) a acusações falsas de que cassaria o título de Nossa Senhora Aparecida de “padroeira do Brasil” provocou críticas entre seus próprios aliados. Interlocutores do candidato avaliam que a campanha agiu de forma desordenada, abriu novas frentes ao tentar conter o caso e ainda não conseguiu estancar o desgaste a menos de uma semana do primeiro turno.

O principal erro apontado foi a acusação de Flávio de que pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam ajudado a disseminar a informação falsa. A declaração provocou uma reação da entidade e, para esses aliados, transformou uma crise provocada por um conteúdo contra o candidato em um confronto com um braço da Igreja Católica.

PROJETO ARQUIVADO – Nos últimos dias, a história foi impulsionada nas redes sociais após um debate sobre um projeto de lei arquivado há quase 20 anos que tinha o objetivo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

As críticas de aliados de Flávio também miram a estratégia adotada desde o início. Em quatro dias, Flávio gravou vídeos, acionou a Justiça, mobilizou religiosos, envolveu a CNBB e depois mudou o tom.

A ofensiva judicial levou ainda a controvérsia ao Supremo Tribunal Federal (STF), após uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atingir uma publicação do humorista Antonio Tabet. Mesmo com a mudança de postura nesta segunda-feira, interlocutores consideram a resposta insuficiente. A cobrança é por uma estratégia mais coordenada e voltada diretamente aos católicos.

ENCONTRO – A campanha estuda um encontro com padres, discute colocar um religioso como porta-voz de um direito de resposta e tenta evitar novas declarações que prolonguem o caso.

Na segunda-feira à noite, Flávio participou do Santo Flow, podcast voltado ao público católico. A agenda ocorreu no momento em que a campanha busca reforçar a interlocução com esse eleitorado, mas ainda é considerada insuficiente por aliados para reverter o desgaste.

O receio é que a crise interrompa uma sequência de semanas em que a campanha considerava ter colocado Lula na defensiva, sobretudo com a exploração das revelações envolvendo o STF, o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Na reta final, Flávio também intensificou os apelos pelo voto útil para tentar atrair indecisos e eleitores de outros candidatos de direita.

CRONOLOGIA –  A informação falsa ganhou força nas redes sociais na quinta-feira. O candidato reagiu ainda naquela noite e depois classificou o caso como a “maior fake news da campanha”. Na sexta-feira, seu jurídico acionou o TSE para pedir a retirada de publicações que faziam a associação.

O ministro André Mendonça acolheu o pedido e determinou a indisponibilização de conteúdos nas redes sociais. A decisão alcançou 1.170 links indicados nas petições e anexos do processo, desde que reproduzissem o conteúdo delimitado pelo ministro.

Entre as publicações atingidas estava uma de Antonio Tabet. Sem citar Flávio nominalmente, o humorista publicou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e escreveu que a “família miliciana” havia decidido atacar a santa.

SUSPENSÃO – Tabet recorreu ao STF, e Flávio Dino suspendeu no domingo os efeitos da decisão de Mendonça sobre a publicação. Nesta segunda-feira, Dino remeteu a controvérsia ao plenário da Corte, enquanto o jurídico de Flávio apresentou novo recurso para tentar reverter a decisão. A tentativa de combater a fake news passou, assim, a produzir também uma disputa judicial entre decisões do TSE e do Supremo.

Em paralelo, a campanha mobilizou religiosos. No sábado, o canal de Flávio no You Tube promoveu uma transmissão com padres e representantes de outras religiões para rebater o conteúdo. Participaram, entre outros, o padre Salathiel de Souza, da Diocese de Jundiaí (SP), e Padre Kelmon.

NOVA DIMENSÃO – No domingo, o caso ganhou uma nova dimensão. Durante agenda em Goiânia, Flávio acusou integrantes da CNBB de terem contribuído para espalhar a informação falsa.

— O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu, com a ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente. Rapidamente se reverteu, porque a verdade está do nosso lado — afirmou.

A CNBB reagiu horas depois. Em nota, negou ter produzido, autorizado ou participado da disseminação de informações falsas e cobrou provas da acusação. “Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”, afirmou.

RETRATAÇÃO – Flávio não pretende pedir desculpas nem retirar a declaração. Auxiliares sustentam que há integrantes da CNBB com posições próximas ao PT e que a fala não exige retratação. Ao mesmo tempo, reconhecem que não interessa transformar o caso em uma disputa mais ampla com a Igreja Católica às vésperas da eleição.

Na tarde dea segunda-feira, em São Paulo, o candidato adotou outro tom. Evitou reiterar a acusação, agradeceu a manifestação da CNBB e apresentou a nota como uma confirmação de que a instituição não participou da disseminação da fake news. A orientação passou a ser evitar novos embates e insistir que Flávio nunca defendeu qualquer medida contra Nossa Senhora Aparecida.

– Estava esperando a nota da CNBB e saiu hoje. Foi muito boa a nota dela, esclarecedora, porque confirma que essa questão de Nossa Senhora Aparecida, ela deixar de ser a padroeira do Brasil, era uma grande mentira, é a maior fake news dessa campanha.

MAIOR VANTAGEM – A preocupação com esse eleitorado ocorre num momento em que a pesquisa Quaest divulgada nesta segunda mostrou Lula ampliando numericamente sua vantagem entre os católicos. O presidente passou de 43% para 48% nesse segmento, enquanto Flávio oscilou de 27% para 29%. A margem de erro entre os católicos é de três pontos percentuais

Segundo o Censo mais recente, 100,2 milhões de brasileiros se declaram católicos, o equivalente a 56,7% da população. A repercussão também entrou no cálculo sobre o debate da TV Globo. Flávio decidiu participar do confronto na quinta-feira mesmo que Lula não compareça. Até a semana passada, condicionava sua presença à participação do presidente. A possibilidade de responder ao caso se for provocado pelos adversários foi um dos fatores considerados na mudança.

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Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

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