

A atitude do governador Elmano de Freitas (PT) de solicitar publicamente ao deputado federal André Fernandes (PL) que apresente formalmente às autoridades as informações que diz possuir sobre o caso da plantação de maconha encontrada em Acopiara coloca uma questão importante no centro do debate: diante de uma denúncia dessa gravidade, é necessário esclarecer os fatos.
André Fernandes afirmou ter conhecimento de que uma autoridade teria feito uma ligação com o objetivo de interromper a operação da Polícia Civil na propriedade onde foram encontrados cerca de 290 mil pés de maconha. Se essa informação for verdadeira, estamos diante de um fato gravíssimo, que precisa ser investigado com rigor, com a identificação e a responsabilização de todos os eventualmente envolvidos.
Elmano afirmou considerar valiosas as informações que o deputado diz possuir e defendeu que elas sejam apresentadas formalmente para contribuir com a investigação. É exatamente isso que se espera diante de uma acusação tão séria: nomes, informações concretas, provas e apuração pelas instituições competentes.
O episódio também reforça a necessidade de responsabilidade com aquilo que se afirma durante uma campanha eleitoral.
Recentemente, outra polêmica envolveu Ciro Gomes ao atribuir ao falecido médico sanitarista Chico Monteiro uma frase comparando médicos ao sal, afirmando que seriam “brancos, baratos e encontrados em qualquer esquina”. A família de Chico Monteiro e antigos companheiros de militância contestaram publicamente essa atribuição e afirmaram que ele jamais teria pronunciado a frase.
Campanha eleitoral pode e deve ter debate duro, cobrança, fiscalização e confronto de ideias. Mas acusações precisam vir acompanhadas de responsabilidade, especialmente quando envolvem autoridades públicas e fatos potencialmente criminosos.
Agora, diante da declaração feita por André Fernandes, cabe ao deputado apresentar formalmente aquilo que afirma saber. Se houve uma autoridade que tentou interferir na ação policial, que seu nome seja revelado às autoridades investigadoras e que os fatos sejam devidamente apurados. E, caso tenha existido alguém dentro da estrutura policial que tenha atendido a uma ordem ilegal, essa conduta também deverá ser investigada e, se comprovada irregularidade, responsabilizada nos termos da lei.
A sociedade merece saber exatamente o que aconteceu em Acopiara. Nem acusações sem provas, nem proteção para quem eventualmente tenha cometido irregularidades.
Que venham os nomes, as provas e a investigação.
Porque, quando a denúncia é grave, a responsabilidade de demonstrá-la também precisa ser grande.
Sorry, periferia política!!!






