

Conversando ontem com alguns amigos sobre o comportamento do candidato a governador Ciro Gomes, concluímos que ele extrapola todos os limites quando se diz traído por pessoas que ajudou a construir suas carreiras políticas aqui no Ceará.
Quando esse candidato se ressente dessas supostas traições, procuramos analisar quem é quem nesse estado de lamúria. Ciro não esconde que se considera traído pelo irmão, o senador Cid Ferreira Gomes, e também pelo senador Camilo Santana.
Fomos, então, aos fatos e chegamos à conclusão de que não se trata de traição, mas da forma como Ciro Gomes escolheu conduzir sua trajetória política, demonstrando, na maioria das vezes, ser um homem arrogante e egocêntrico.
Vejam que sua vida pública só começou a ganhar relevância quando recebeu o empurrão do ex-senador Tasso Jereissati. Esse capítulo de sua história todos já conhecem. Posteriormente, porém, Tasso foi escanteado por Ciro. Aliás, não apenas Tasso, mas todo o tucanato da época, incluindo Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e tantos outros. Ciro Gomes os deixou para cair nos braços de Lula.
Daí nasceu um relacionamento político que parecia duradouro. Dizem, inclusive, que o próprio Ciro chegou a afirmar que o amor entre ele e Lula “havia sido traçado na maternidade” e que, por Lula, largaria tudo: carreira, dinheiro e diploma. Como na música de Cazuza, para ele era “tudo ou nunca mais”. No entanto, da mesma forma que abandonou o tucanato, também tratou de abandonar Lula, mesmo depois de ter sido um de seus ministros mais prestigiados.
Quando disse a Lula que, por ele, largaria tudo, cumpriu a promessa. Tanto que rompeu novamente com Tasso Jereissati quando, nas eleições de 2010, Lula veio ao Ceará e exigiu que Ciro desistisse da candidatura do aliado para apoiar José Pimentel, petista de longa trajetória. Ciro não titubeou e obedeceu.
Mas chegou também a hora de abandonar o então venerado Lula. Sentindo-se fortalecido após os anos de protagonismo no governo petista, supôs que poderia caminhar sozinho. Não pensou duas vezes: tornou-se um dos mais duros adversários do lulopetismo. Passou a percorrer o Brasil criticando o principal líder do Partido dos Trabalhadores e, a cada eleição presidencial em que disputou como candidato de oposição, elevou ainda mais o tom de seus ataques.
Foi então que percebeu que essa estratégia não o levaria ao sucesso no plano nacional. Retornou ao Ceará decidido a ampliar sua influência política. Entretanto, de acordo com sua personalidade egocêntrica, tudo deveria estar sob seu controle, sem espaço para dividir protagonismo com Camilo Santana e Cid Gomes, seu próprio irmão.
Como Camilo e Cid não aceitaram suas condições, Ciro partiu para o confronto político. Desde então, vem acumulando derrotas. Perdeu a disputa pelo Governo do Estado com Roberto Cláudio como candidato, que terminou em último lugar; perdeu também a eleição para a Prefeitura de Fortaleza, na qual seu candidato igualmente ficou na lanterna. Agora, em 2026, resolveu novamente colocar seu nome à disposição como candidato ao Governo do Ceará, contando com o apoio de Tasso Jereissati, Roberto Cláudio, Mauro Benevides Filho e outros aliados de menor expressão.
Sabem o que vai acontecer? Segundo essa análise, Ciro perderá novamente no Ceará, recolher-se-á à sua insignificância e, quando estiver sozinho no silêncio de seu quarto, de pijama, terá todo o tempo do mundo para repensar sua forma de fazer política e de compreender a dinâmica que caracteriza a atividade política.
Sendo assim, estamos para lá de conversados. E não esqueçam: enquanto a caravana passa, os cães ladram.
Sorry, periferia política!








