

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Fortaleza nesta terça-feira, 29 de setembro, para reforçar a campanha de Elmano de Freitas (PT) nesta reta final, a disputa pelo Governo do Ceará entra em seus momentos mais tensos. Pesquisas recentes mostram uma eleição apertada: há levantamentos apontando Elmano numericamente à frente, enquanto outros registram empate técnico.

Do lado de Ciro, a campanha chega aos últimos dias tendo de enfrentar, além da batalha eleitoral, uma verdadeira encrenca jurídica envolvendo a Federação União Progressista.
E pensar que essa campanha já começou toda enviesada. A aproximação de Ciro com o campo bolsonarista encontrou resistência, inclusive de Michelle Bolsonaro, diante do histórico de duras críticas feitas pelo ex-governador à família Bolsonaro. Vai para lá, vem para cá, a aliança acabou avançando, embora não sem deixar insatisfações entre setores da direita cearense.

Resolvida — pelo menos politicamente — essa questão, restava outra bronca das grandes: saber para que lado iria a Federação União Progressista. De um lado estava a coligação “Unir para Mudar”, encabeçada por Ciro Gomes; do outro, a candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas.
E foi justamente aí que o caldo engrossou.
Os diretórios estaduais do União Brasil e do Progressistas haviam decidido apoiar Elmano de Freitas. A Federação União Progressista, entretanto, tomou caminho diferente e formalizou apoio a Ciro Gomes. A divergência terminou na Justiça Eleitoral e agora, justamente no apagar das luzes da campanha, produziu uma decisão capaz de provocar enorme turbulência na chapa oposicionista.
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu tutela de urgência determinando, até o julgamento do recurso especial, a suspensão de atos de propaganda eleitoral do candidato a vice-governador Roberto Cláudio e do candidato ao Senado Capitão Wagner, além dos respectivos suplentes.
A decisão também determinou a exclusão, por enquanto, da Federação União Progressista da coligação majoritária de Ciro Gomes para efeito da propaganda eleitoral e atingiu o recebimento e a utilização de recursos públicos destinados aos candidatos alcançados pela medida.
Ou seja: a cinco dias do primeiro turno, Ciro Gomes passa a administrar um problema que candidato nenhum gostaria de carregar justamente nesta altura do campeonato.
Mas, politicamente, o estrago imediato está posto.
Uma chapa que pretende disputar o Governo de um Estado como o Ceará chegar à semana decisiva da eleição envolvida numa pendenga dessa dimensão é, no mínimo, uma demonstração de que questões fundamentais da engenharia política e jurídica da aliança permaneceram abertas por tempo demais.
Agora, Ciro Gomes, Roberto Cláudio e Capitão Wagner terão de correr não apenas atrás dos votos, mas também de uma solução jurídica para o imbróglio que caiu no colo da campanha justamente quando cada hora vale ouro.
Enquanto isso, Lula chega ao Ceará para participar de ato ao lado de Elmano, numa demonstração de força política da chapa governista nesta reta final.
Para Ciro, portanto, não bastava uma eleição que já vinha se mostrando duríssima. Agora apareceu mais essa.
Como diz o velho ditado nordestino: além da queda, o coice.
E faltando tão pouco para o eleitor ir às urnas…
Sei não!





