

Ex-prefeito Ednaldo Lavor
O cenário político de Iguatu, no Centro-Sul cearense, tem sido marcado nas últimas décadas, por embates acirrados entre os principais grupos políticos do município. Entre os protagonistas desse contexto está Ednaldo Lavor, que construiu sua carreira política passando a ser eleito por dois mandatos de vereador, presidente da Câmara por duas vezes e em seguida vice-prefeito.
Em 2012, enquanto vice-prefeito, Ednaldo rompeu politicamente com o então líder do grupo, Agenor Neto. O rompimento ocorreu após desentendimentos internos, especialmente pela falta de autonomia no exercício do cargo, ausência de gabinete e a percepção de perseguição política.
Após a ruptura, Ednaldo formou seu próprio grupo, que ficou conhecido como “Irmãos Coragem”, que nas eleições de 2014, apoiou os deputados Wellington Landim (estadual) e Macêdão (federal).
- DISPUTA PELA PREFEITURA DE IGUATU EM 2016.
Com uma base consolidada, formada por vereadores, lideranças comunitárias, familiares e apoiadores, Ednaldo lançou sua candidatura à Prefeitura de Iguatu em 2016. Teve como candidato a vice Marcos Sobreira, filho do ex-deputado Marcelo Sobreira e da ex-deputada Miriam Sobreira, que, até então, nunca havia concorrido a cargo eletivo.
Na eleição, Ednaldo enfrentou o então prefeito Aderilo Alcântara, aliado de Agenor Neto.
Insatisfeita com a gestão vigente, uma ampla parcela da população, incluindo servidores públicos, empresários e comerciantes, aderiram à candidatura de Ednaldo, que saiu vitorioso com uma diferença de 11.118 votos, obtendo o total de 31.552 votos , sendo a maior votação de toda a história de Iguatu
Com sua saída do legislativo, Ednaldo lançou a sua esposa para o pleito de vereadora a qual foi eleita por 3 mandatos consecutivos e sendo presidente da Câmara por 3 vezes e chegando a assumir a prefeitura por diversas vezes. Em 2022 Eliane Braz se lançou a candidata a deputada federal pelo PSD, quando obteve quase 67 mil votos, conseguindo a primeira suplência e assumindo o mandato de deputada federal no ano de 2023. Recentemente, estava como Secretária Executiva de Proteção Animal do Estado do Ceará.
- DESAFIOS NO GOVERNO E NOVO ROMPIMENTO
A vitória de Ednaldo para a Prefeitura de Iguatu, contudo, foi apenas o início de uma gestão marcada por desafios. Durante o mandato, diversas pastas ficaram sob influência direta de Marcelo Sobreira, como Saúde, Agricultura, Comunicação e Cultura.
Em 2018, Ednaldo e seu grupo decidiram lançar o vice-prefeito Marcos Sobreira como candidato a deputado estadual, sendo eleito. Na mesma eleição, Agenor Neto também garantiu vaga na Assembleia Legislativa.
No entanto, em 2019, divergências administrativas levaram a um novo rompimento — desta vez entre Ednaldo e os Sobreiras. A partir daí, o prefeito passou a enfrentar dois grupos de oposição: o de Agenor Neto e o dos Sobreira. Ambos atuaram de forma intensa, articulando movimentos políticos com o apoio de parte da Câmara Municipal e da mídia local, para desestabilizar a gestão.

- Eleições de 2020: NOVO EMBATE
Para a eleição municipal de 2020, Ednaldo lançou sua candidatura à reeleição e escolheu como vice o empresário e ex-vereador Franklin Bezerra(foto), que havia iniciado pré-campanha pelo PSDB. A chapa foi formada por PSD (Ednaldo) e PSDB (Franklin).
O pleito contou, inicialmente, com seis candidaturas: Ednaldo Lavor, Agenor Neto (15) e Marcos Sobreira (12) e outros. Na reta final da campanha, Marcos Sobreira desistiu da disputa, acirrando ainda mais o embate entre Ednaldo e Agenor.
O resultado confirmou a vitória de Ednaldo e Franklin, que conquistaram a reeleição de Ednaldo com quase 6 mil votos de diferença sobre Agenor Neto.
- AFASTAMENTO E RETORNO.
Em 2021, Agenor Neto ingressou na Justiça Eleitoral tentando anular o resultado das eleições, alegando irregularidades em uma postagem institucional. O pedido foi apresentado fora do prazo legal e sem participação no processo inicial.
Mesmo assim uma decisão judicial determinou o afastamento de Ednaldo e Franklin entre 2022 e 2023. No entanto, em janeiro de 2024, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou a decisão e devolveu os mandatos aos eleitos.
O período de afastamento foi marcado por denúncias consideradas infundadas, bloqueio de recursos e tentativas de inviabilizar a administração municipal.
ELEIÇÕES DE 2024: NOVA CONFIGURAÇÃO POLÍTICA
No pleito de 2024, o cenário político de Iguatu se reorganizou. Agenor Neto lançou seu filho, Ilo Neto, como candidato a prefeito pelo PT (13). O grupo dos Sobreiras apresentou o empresário Dr. Sá, da Boticário, como candidato pelo PSB (40). Já Ednaldo Lavor lançou os vereadores Rafael Gadelha (prefeito) e Bandeira Jr. (vice) pelo PSD (55).
O PSDB lançou de forma independente o nome de Roberto Filho, filho do ex-prefeito e ex-deputado Roberto Costa (in memoriam) e sobrinho do ex-prefeito Edilmo Costa.
- A corrida eleitoral contou com a participação expressiva de candidaturas proporcionais:
PSD e coligação: 58 candidatos a vereador
PT e coligação: pouco mais de 30
PSB: 18 candidatos
PSDB: 12 candidatos
A campanha, especialmente no mês de setembro, se polarizou entre Ilo Neto e Roberto Filho, com pesquisas internas apontando vantagem para o candidato do PT.
- A DECISÃO DE ÚLTIMA HORA E O RESULTADO DAS URNAS
Na reta final da campanha, Ednaldo Lavor, após reuniões com lideranças em Iguatu e Fortaleza, decidiu retirar a candidatura do PSD, liberando seus apoiadores, mas orientando o apoio ao candidato Roberto Filho.
O apoio foi decisivo. Roberto Filho foi eleito prefeito de Iguatu com uma vantagem de 2 mil votos sobre Ilo Neto.
- Na composição da Câmara Municipal, o resultado foi o seguinte:
Grupo de Ednaldo: 8 vereadores
Grupo dos Sobreira (Dr. Sá): 3 vereadores
Grupo de Agenor Neto (Ilo Neto): 5 vereadores
PSDB (Roberto Filho): 1 vereador
- Contestação judicial
Mesmo após mais uma derrota, Agenor Neto ingressou com uma ação judicial pedindo a anulação do pleito de 2024, na tentativa de convocar uma nova eleição no município. O processo segue em tramitação.-Saber perder não é para todos!






