Carlos Newton
Até as colunas do Palácio do Planalto sabem que o país está vivendo uma grave crise política, há milhares de manifestantes acampados diante dos mais importantes quarteis militares, com a conivência e a cobertura dos atuais comandantes das Forças Armadas. Trata-se de fato público e notório, como dizem os juristas, pois independe de provas.
Esta crise é semelhante a de outros países sul-americanos, onde há intensa polarização e as últimas eleições foram vencidas por escassa margem de votos, como é o caso do Peru, Argentina, Colômbia e Chile, atingidos por ondas de extremismos.

É PRECISO CAUTELA – Nesse tipo de situação, o Barão de Itararé recomendaria cautela, por ser igual à canja de galinha e não fazer mal a ninguém. Quando há polarização extremada, os governantes eleitos precisam distender os ânimos, atender a alguns clamores dos oposicionistas, tentar um mínimo de conciliação. E nada disso é novidade, estamos raciocinando sobre o óbvio.
Mas aqui no Brasil, onde funciona tudo ao contrário, a mulher do futuro presidente, dona Janja da Silva, que pretende participar ativamente do governo e “ressignificar” a função de primeira-dama, decidiu celebrar a posse do marido com uma grande festa popular, que pode funcionar como uma provocação aos fanáticos que estão acampados há quase dois meses diante do Quartel-General do Exército.
Nem mesmo os atos de vandalismo realizados na noite da segunda-feira passada, dia 12, foram capazes de provocar ao cancelamento da festa. Pelo contrário, parece que o entusiasmo aumentou.
PREPARATIVOS – Os preparativos seguem em alta velocidade, com a instalação dos grandiosos palcos na Esplanada dos Ministérios. E todos agem como se estivessem no melhor dos mundos de Voltaire, a pretexto de que a segurança será reforçada.
Mas por que tudo isso? Para que tudo isso? Ora, simplesmente porque é uma decisão da futura primeira-dama, que resolveu inovar num momento impróprio. Fica claro que dona Janja teve uma péssima ideia, mas foi aplaudida pelo governador de Brasília, Ibaneis Rocha, que demonstra ser altamente irresponsável.
O bom-senso recomenda que se procure cercar de todos os cuidados a posse. Já se fala até em impedir o uso do Rolls Royce conversível, para maior segurança do novo presidente. Mas quanto aos shows, não há a menor preocupação, porque o espetáculo não pode parar…
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P.S. – Bem, seja o que Deus quiser… Neste país esculhambado, ninguém se importa com nada, mesmo. Já se anuncia que dona Janja requisitou as salas onde funciona hoje o Gabinete do Ódio, no terceiro andar do Planalto. É lá que ela vai se instalar, ao lado da sala do marido, e dar expediente, cercada de assessores. Nota-se que é uma primeira-dama que já se sente celebridade, opina abertamente na escolha de ministros e pretende aparecer a qualquer custo. Cada sorriso, um flash, como se fosse personagem de novela. É aí que mora o perigo. Mas quem se interessa?





