FLÁVIO BOLSONARO: UM CANDIDATO QUE SE ENROLA NAS PRÓPRIAS PALAVRAS E JÁ SENTE O CHEIRINHO DA DERROTA

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Flávio Bolsonaro (PL) é, na minha avaliação, um candidato à Presidência da República muito fácil de ser abatido politicamente. E sabem por quê? Porque nem mesmo na arte de construir uma narrativa convincente ele demonstra competência. Parece uma criança que, depois de fazer uma travessura, é chamada para prestar contas e, sem saber como escapar, inventa uma história mirabolante, coloca a culpa no cachorrinho de estimação da família ou, em último caso, aponta as travessuras dos coleguinhas para tentar desviar a atenção da própria encrenca. É mais ou menos assim que enxergo o comportamento político do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na entrevista de ontem à noite, na Rede Globo, o candidato bolsonarista, a meu ver, ofereceu uma demonstração de suas limitações políticas. E olhem que, segundo informações que circularam, teria até almoçado com o presidente e o vice-presidente da emissora antes da sabatina. Caso confirmado, esse encontro, embora não constitua por si só prova de favorecimento, levanta questionamentos sobre a necessária aparência de independência jornalística que deve cercar uma entrevista dessa importância.

Pois bem! Mesmo diante desse cenário, Flávio se enroscou nas perguntas, demonstrou, na minha leitura, um conhecimento superficial de questões fundamentais da realidade brasileira e tentou escapar das indagações mais contundentes da entrevistadora com respostas que pouco esclareciam. E, como se não bastasse, parecia incapaz de desenvolver um raciocínio político sem trazer à baila o nome de seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Aliás, Lula vem demonstrando, no meu entendimento, um fôlego eleitoral que muitos de seus adversários subestimaram. E isso começa a incomodar profundamente o campo bolsonarista, que imaginava encontrar pela frente uma disputa muito mais confortável.

Outra coisa que me chama a atenção é o entusiasmo de determinados setores poderosos da política e da economia com a candidatura de Flávio Bolsonaro. Fico cá com meus botões imaginando se esse apoio decorre realmente da confiança em sua capacidade de governar ou da expectativa de encontrar no Palácio do Planalto um presidente politicamente dependente, facilmente influenciável e disposto a permitir que outros casem e batizem nos corredores do poder.

Porque, convenhamos, uma coisa é apoiar um candidato com ideias próprias, preparo administrativo e capacidade de liderança. Outra, completamente diferente, é apostar numa figura que, na minha percepção, ainda não demonstrou possuir a estatura política necessária para comandar um país da dimensão e da complexidade do Brasil.

E o que dizer das pesquisas eleitorais? Os levantamentos recentes, com suas oscilações e margens de erro, alimentam a percepção de uma disputa cada vez mais apertada. Na minha leitura, Lula vem ganhando musculatura política, enquanto Flávio enfrenta dificuldades para ampliar seu eleitorado. É justamente esse cenário que parece estar deixando muitos bolsonaristas borocoxôs nas redes sociais. A turma que antes cantava vitória antecipada agora começa a perceber que a eleição pode tomar um rumo bastante diferente daquele que imaginava.

E olhem que ainda teremos os debates frente a frente! Aí, meus queridos, é que acredito que a porca vai torcer o rabo.

Uma coisa é participar de entrevistas e recorrer a respostas previamente ensaiadas. Outra é enfrentar um adversário experiente, acostumado às grandes disputas nacionais e dotado de reconhecida habilidade de comunicação política. Lula, gostem dele ou não, é um dos mais experientes personagens da história política brasileira. Já Flávio, até aqui, não me convenceu de que possui desenvoltura suficiente para enfrentá-lo numa discussão de alto nível sobre economia, política externa, desigualdade social, educação, saúde e os grandes desafios nacionais.

Tenho a impressão de que o senador chegou a essa disputa muito mais pela força do sobrenome Bolsonaro do que por méritos políticos próprios. Pegou carona no capital eleitoral do pai e agora tenta transformar essa herança numa passagem direta para a Presidência da República. Só que sobrenome famoso não é certificado de competência, muito menos garantia de capacidade administrativa.

E sabem de quem me lembro quando observo essa candidatura? Do ex-presidente Fernando Collor de Mello, aquele personagem que surgiu na política nacional cercado de expectativas, com um discurso de renovação e uma imagem cuidadosamente trabalhada. As circunstâncias históricas são diferentes, evidentemente, mas encontro semelhanças na maneira como se tenta construir uma candidatura presidencial em torno da imagem, do marketing e de promessas que, na minha opinião, não encontram correspondência suficiente na experiência e na consistência política do candidato.

O Brasil já pagou caro por aventuras políticas. E não deveria precisar de novas experiências traumáticas para compreender que a Presidência da República não é lugar para improvisações, vaidades familiares ou projetos pessoais de poder.

Flávio Bolsonaro pode até contar com uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro, especialmente aquela que permanece fiel ao seu pai. Isso ninguém pode negar. Mas transformar fidelidade familiar em credencial para governar uma nação é outra conversa, muito mais séria e exigente.

Continuo acreditando que, à medida que a campanha avançar e os candidatos forem obrigados a apresentar propostas concretas e confrontar ideias, as fragilidades que identifico na candidatura bolsonarista ficarão ainda mais expostas.

E, se essa minha leitura estiver correta, o cheirinho da derrota que já incomoda determinados setores da oposição poderá transformar-se num verdadeiro banho de água fria nas pretensões de retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Porque o Brasil precisa de presidente, não de marionete. Precisa de liderança, não de herdeiro político. Precisa de alguém que saiba governar, e não apenas carregar um sobrenome eleitoralmente conhecido.

Sendo assim, estamos para lá de conversados. Sorry, periferia política!!!!

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Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

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