

Conversei com um analista político amigo meu, residente em Fortaleza, que me fez uma observação das mais interessantes sobre o atual cenário eleitoral brasileiro, especialmente no Ceará. Segundo ele, o apoio explícito do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, à candidatura de Flávio Bolsonaro neste segundo turno da eleição presidencial não acrescenta praticamente nada ao desempenho eleitoral do candidato bolsonarista em terras alencarinas.
E o meu interlocutor não ficou apenas nessa avaliação. Foi muito mais longe! Na sua leitura, o capital político de Roberto Cláudio teria escorrido pelo ralo depois que ele resolveu abandonar, juntamente com Ciro Gomes, o campo político liderado por Camilo Santana, Cid Gomes e Elmano de Freitas.
Ou seja, aquele Roberto Cláudio que já foi considerado uma das grandes promessas da política cearense, chegando a administrar Fortaleza por dois mandatos consecutivos, hoje estaria longe de exercer a influência eleitoral que um dia desfrutou. Como se diz popularmente, perdeu o bonde da história!
Mas a análise do meu amigo não parou por aí. Segundo ele, nem mesmo uma eventual declaração de apoio de Ciro Gomes a Flávio Bolsonaro seria suficiente para provocar uma debandada de votos de Lula em direção ao candidato oposicionista.
Muito pelo contrário! Na sua avaliação, a tendência seria de crescimento da votação do presidente Lula no Ceará, com possibilidade de ultrapassar a expressiva marca dos 70% dos votos válidos. Trata-se, evidentemente, de uma projeção política, e não de resultado antecipadamente assegurado pelas urnas.
E sabem de uma coisa? O raciocínio merece reflexão. Afinal, apoio político não significa transferência automática de votos. O eleitor não é propriedade de liderança alguma, por mais importante que ela tenha sido no passado.
E é justamente aí que entra a parte mais apimentada dessa conversa.
Para o meu amigo, nomes como Ciro Gomes, Capitão Wagner, Roberto Cláudio, Sarto Nogueira e Carmelo Neto já não despertariam no eleitorado cearense o mesmo entusiasmo de outros tempos. Na sua interpretação, o desgaste político dessas lideranças seria tão acentuado que uma parcela dos eleitores preferiria vê-las aposentadas das disputas eleitorais.
Traduzindo para o bom português das conversas de calçada: estaria chegando a hora de alguns desses senhores encostarem as chuteiras, vestirem seus pijamas, calçarem suas confortáveis sandálias e permanecerem em casa, assistindo pela televisão ao ruge-ruge da política brasileira.
Que maldade, meu Deus! Mas política também é feita dessas avaliações impiedosas.
É claro que ninguém pode decretar antecipadamente a aposentadoria política de quem quer que seja. A história está cheia de personagens que foram considerados acabados e, tempos depois, ressurgiram com força surpreendente.
Entretanto, uma coisa parece bastante razoável: prestígio de ontem não garante voto amanhã. E quem perde a sintonia com o sentimento popular corre o risco de continuar falando alto, fazendo barulho e ocupando espaços, mas sem encontrar nas urnas a resposta que imagina merecer.
No Ceará, onde a política costuma reservar surpresas até para os mais experimentados observadores, convém não confundir notoriedade com força eleitoral.
Afinal, meus queridos leitores, uma coisa é aparecer no noticiário. Outra, bem diferente, é convencer o eleitor a apertar os números na urna eletrônica.
E como diria este colunista, na política, quem não acompanha o compasso da música corre o risco de continuar dançando sozinho.
Sorry, periferia!!!





