FLÁVIO BOLSONARO: ENTRE O VAI E VEM, AS FANFARRONICES E O MEDO DO CARA A CARA COM LULA

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MARCOS PEIXOTO

Vou lhes contar uma coisa, caríssimos leitores: esse Flávio Bolsonaro (PL) é mesmo uma figura política difícil de levar a sério quando o assunto é coerência. O filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro parece ter desenvolvido uma habilidade extraordinária para dizer uma coisa hoje, desdizê-la amanhã e, de quebra, tentar convencer os brasileiros de que tudo não passou de uma genial estratégia política. Ora, tenham paciência!

Flávio construiu sua trajetória profissional praticamente dentro da política. Começou como deputado estadual no Rio de Janeiro, depois chegou ao Senado Federal, sempre carregando o sobrenome Bolsonaro como um poderoso cartão de visitas. Ao longo dessa caminhada, seu nome esteve envolvido em controvérsias, entre elas as investigações sobre as chamadas rachadinhas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa fluminense. Acusações que, evidentemente, precisam ser tratadas com o devido rigor jurídico, sem transformar suspeitas em condenações.

Agora, mais uma polêmica entra no circuito político, envolvendo referências a um suposto áudio relacionado ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento de uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro. Caso a autenticidade e o conteúdo dessa gravação sejam confirmados, teremos mais um episódio merecedor de esclarecimentos públicos. Afinal, quem pretende governar o Brasil precisa estar preparado para responder a perguntas incômodas.

Mas vamos ao episódio que motivou esta conversa.

Na terça-feira, Flávio Bolsonaro anunciou que não participaria do debate presidencial promovido pela Band e pelo Estadão, previsto para o próximo domingo. A repercussão negativa, segundo a interpretação deste colunista, parece ter feito o candidato reconsiderar sua posição.

Pois não é que, nesta quarta-feira, o senador amanheceu com outra conversa?

Em vídeo divulgado nas redes sociais, resolveu transformar o recuo em uma suposta armadilha preparada para Lula. Disse Flávio:

“Lula, como você é previsível. Bastou eu falar que não ia no debate da Band para você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse.”

Ah, meu povo, me comprem um bode!

Quer dizer que agora anunciar a ausência em um debate e depois voltar atrás virou estratégia de mestre? É muita criatividade para justificar uma mudança de posição! Na minha leitura, o presidenciável percebeu que faltar a um confronto dessa importância poderia lhe custar caro perante o eleitorado.

E não ficou somente nisso.

Flávio resolveu subir o tom e prometeu enfrentar Lula diante das câmeras, afirmando que iria desmenti-lo ao vivo para milhões de brasileiros. Uma disposição beligerante que, convenhamos, contrasta com a hesitação demonstrada no episódio anterior.

O problema é que debate presidencial não é reunião de torcida organizada, tampouco palco para bravatas de internet. É preciso apresentar propostas, demonstrar conhecimento sobre os problemas nacionais, dominar os grandes temas da economia, da saúde, da educação e das relações internacionais. E, sobretudo, ter equilíbrio emocional para enfrentar um adversário experiente como Lula.

Flávio Bolsonaro poderá até surpreender. Afinal, na política brasileira, até o improvável costuma acontecer. Mas terá de demonstrar, diante das câmeras, que possui conteúdo político e preparo administrativo para além das frases de efeito e das provocações ensaiadas.

Quanto ao esforço de transformar Jair Bolsonaro em personagem heroico da história nacional, trata-se de uma pretensão que merece ser examinada com espírito crítico. A história do Brasil tem personagens de enorme importância, como Dom Pedro I, Dom Pedro II, Deodoro da Fonseca, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Tancredo Neves. Todos com virtudes, contradições e legados que continuam sujeitos ao julgamento histórico.

A consagração de um governante não acontece por determinação familiar, propaganda cinematográfica ou entusiasmo de seguidores. É a história, com o passar do tempo, que estabelece o verdadeiro tamanho de cada personagem.

Mas voltemos ao nosso personagem principal.

Quero ver, no próximo domingo, se toda essa valentia anunciada nas redes sociais encontrará correspondência diante de Lula. Porque uma coisa é falar para uma câmera, sem contraditório, cercado de admiradores. Outra, completamente diferente, é enfrentar um adversário frente a frente, com perguntas, réplicas, tréplicas e milhões de brasileiros acompanhando cada palavra.

Por enquanto, Flávio Bolsonaro parece mais empenhado em vencer a batalha das narrativas do que em demonstrar a consistência de suas propostas.

E este colunista, que não perde um bom espetáculo da política nacional, já está preparando o programa dominical.

Preparem as pipocas, coloquem as cervejotas para gelar e acomodem-se confortavelmente nas poltronas.

Vamos conferir se o filho 01 vai realmente apresentar as verdades que promete ou se teremos mais uma sessão de bravatas, sofismas e fanfarronices políticas.

Porque, meus caros, entre prometer esfregar a verdade na cara do adversário e conseguir fazê-lo existe uma distância do tamanho do Brasil.

Vamos pagar para ver!

E como diria este colunista: Sorry, periferia!

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Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

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