

O líder político aposentado no Crato, ex-prefeito Walter Peixoto, costumava dizer que “fogo de ladeira acima, água de ladeira abaixo e governo, só doido para encarar essa parada”.
Pois Ciro Gomes (PSDB), com aquela sua conhecida mania de grandeza, achou que era forte o suficiente para enfrentar praticamente sozinho um verdadeiro batalhão de antigas lideranças aliadas: o irmão Cid Gomes, os ex-aliados Camilo Santana e Elmano de Freitas, a ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins, a ex-governadora Izolda Cela, o ex-vice-governador Domingos Filho, o ex-senador e atual deputado federal Eunício Oliveira e, por último, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Romeu Aldigueri.
Toda essa gente, de uma forma ou de outra, esteve do seu lado quando Ciro e seu grupo pilotavam a situação política no Ceará.
O rompimento começou a ganhar contornos definitivos em 2022, quando uma parcela expressiva das lideranças governistas defendia a candidatura da então governadora Izolda Cela à reeleição. Ciro preferiu outro caminho e apoiou o nome do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.
A divergência virou rompimento.
Izolda acabou fora da disputa, enquanto o grupo político que deixou a antiga aliança passou a apoiar a candidatura do então deputado estadual Elmano de Freitas. Ciro, por sua vez, bancou Roberto Cláudio na arena eleitoral.
O resultado daquela eleição é conhecido: Elmano venceu ainda no primeiro turno, enquanto Roberto Cláudio terminou na terceira colocação.
Mas, como cantava a saudosa roqueira brasileira Rita Lee, “bobeira pouca é bobagem”. O filho mais velho de seu Zé Euclides Ferreira Gomes e dona Mazé resolveu, quatro anos depois, voltar pessoalmente para a peleja.
Em 2026, em vez de colocar mais um aliado na disputa pelo Palácio da Abolição, Ciro abandonou sua antiga pretensão de voltar a disputar a Presidência da República, deu um tremendo cavalo de pau político e resolveu ele mesmo encarar novamente boa parte daquela rapaziada com quem já dividiu o mesmo palanque.

E a disputa, que durante boa parte do caminho parecia bastante confortável para o tucano em alguns levantamentos, apertou de vez.
As pesquisas mais recentes mostram justamente isso: Ciro Gomes e Elmano de Freitas chegaram à reta decisiva praticamente embolados. Há levantamentos que colocam Ciro numericamente à frente e outros que mostram Elmano na dianteira, dentro ou próximo das respectivas margens de erro.
Ou seja: a eleição cearense virou uma peleja daquelas.

Agora, se me perguntarem qual é a minha leitura pessoal diante dessa movimentação das últimas semanas, continuo com a mesma impressão que venho manifestando há tempos: acredito que Elmano chega ao trecho final da campanha em trajetória de crescimento e com condições de buscar uma definição ainda no primeiro turno.
Se isso realmente acontecerá, somente as urnas poderão dizer.
Mas uma coisa ninguém pode negar: aquela eleição que parecia ter um roteiro bem mais tranquilo para Ciro Gomes ganhou contornos completamente diferentes nesta reta final.
E aí me lembro novamente do velho Walter Peixoto: fogo de ladeira acima, água de ladeira abaixo e governo…
É parada para poucos!
Sorry, periferia política!!!!





