
Algumas pessoas já vinham me dizendo que o prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra(Podemos), de certo tempo para cá, vinha externando um certo desconforto com os candidatos ao Senado pelo Ceará. E parece que a coisa ficou ainda mais clara depois de uma entrevista radiofônica em que deixou o repórter meio tonto ao afirmar que, até o momento, só tinha um candidato para chamar de seu: Alcides Fernandes(PL).
Os dois estiveram juntos, no comecinho da campanha eleitoral, em Juazeiro do Norte, ocasião em que foram anunciados R$ 4,3 milhões destinados à reforma do Hospital Estephânia.
Por conta disso, o prefeito romeiro se encrespou de vez e afirmou que nem Cid Gomes, nem Luizianne Lins e nem mesmo Capitão Wagner — este último pertencente ao seu campo político — mereciam o seu esforço ou o seu voto nesta campanha eleitoral.
E justificou sua posição: Cid Gomes, como senador, e Luizianne Lins, como deputada federal, deveriam ter lembrado mais de Juazeiro do Norte e das necessidades da cidade, principalmente Cid, que sempre recebeu expressivas votações no município.
Não sei se a pecha de “padrasto político” caberia também ao candidato a governador Ciro Gomes. Afinal, o prefeito afirmou que, até agora, só tem como candidato certo Alcides Fernandes, que disputa uma vaga no Senado.
O governador Elmano de Freitas (PT), por sua vez, já havia sido descartado pelo prefeito juazeirense desde o começo deste ano. Portanto, nem caberia mais falar sobre ele neste assunto.
Só sei de uma coisa: Glêdson Bezerra nunca foi muito de se apegar a ideologismos. Para ele, sua cidade romeira está acima de tudo. Basta lembrar que, nas eleições estaduais passadas, diante dos acenos que recebeu, não tergiversou e votou em Camilo Santana para senador e Fernando Santana para deputado estadual, mesmo estando politicamente em outro campo na disputa pelo Governo do Estado.
Naquela ocasião, os dois se comprometeram, segundo Glêdson, a ajudar Juazeiro do Norte a se desenvolver ainda mais. Posteriormente, o prefeito chegou a alegar que não apoiaria o situacionismo estadual diante do que considerou o não cumprimento da palavra acordada entre eles.
Aliás, a trajetória política recente de Glêdson mostra justamente essa característica: alianças e apoios que nem sempre obedecem à cartilha ideológica tradicional. Quando entende que determinada liderança pode contribuir com Juazeiro, conversa, acerta e apoia. Quando considera que a contrapartida política ou administrativa não veio, fecha a cara e muda de rumo.
E parece que, desta vez, o recado foi dado sem muito rodeio: para conquistar o voto e o empenho do prefeito romeiro não basta pertencer ao mesmo campo político, aparecer em fotografia ou subir no mesmo palanque. Na visão externada por Glêdson, é preciso apresentar serviço e compromisso com Juazeiro do Norte.
Sendo assim, estamos para lá de conversados.
Sorry, periferia política!!!





