

André Fernandes, Yury do Paredão e Giordanna Mano
Já era de se esperar que, nas eleições para deputado federal, nomes como André Fernandes, Yury do Paredão e Giordanna Mano aparecessem entre os campeões de votos no Ceará. Esses políticos sabem muito bem utilizar a força das estruturas partidárias, das emendas parlamentares e de tantos outros instrumentos disponíveis a quem já ocupa espaço no poder para fortalecer suas bases eleitorais e construir verdadeiras máquinas políticas.
E assim vão criando condições para permanecer por muito, muito tempo na Câmara dos Deputados. De lá, parece que não saem mais nunca — a não ser, evidentemente, para abiscoitarem cargos ainda mais altos.
Estamos correndo o risco de transformar nossos parlamentos numa espécie de abrigo permanente para políticos profissionais. E isso, na minha opinião, é extremamente prejudicial à população. Um Parlamento precisa também de renovação, de novas ideias, novas lideranças e novas maneiras de enxergar os problemas da sociedade. Sem renovação, corre-se o risco de cristalizar práticas, grupos e interesses.
Ainda mais nos tempos modernos, quando o mundo se transforma praticamente em tempo real, como num passe de mágica. A tecnologia avança, os costumes mudam, surgem novas profissões, novos desafios e novas demandas sociais. Enquanto isso, boa parte da política brasileira continua funcionando segundo métodos antigos, com os mesmos grupos se revezando ou tentando permanecer indefinidamente no poder.
Daí a gente perceber cada vez mais o mundo político adotando mil e uma maneiras de garantir sua própria sobrevivência. Convenhamos: quando a preocupação em permanecer no cargo passa a falar mais alto do que a própria renovação democrática, alguma coisa está errada. Isso deixa de ser saudável para a democracia e começa a ganhar contornos de puro casuísmo.
Às vezes tenho a impressão de que o Brasil político acabou se transformando numa grande capitania hereditária: muda-se uma coisa aqui, outra acolá, mas determinadas famílias, grupos e estruturas de poder atravessam décadas praticamente intocáveis.
E modificar isso não será tarefa fácil.
As grandes transformações brasileiras quase sempre caminharam lentamente, principalmente quando significaram contrariar os interesses daqueles que estavam no poder. Basta lembrar o longo e vergonhoso caminho até a abolição da escravidão. Primeiro veio a Lei do Ventre Livre, em 1871; depois, a Lei dos Sexagenários, em 1885; e somente em 1888 chegamos à Lei Áurea, que finalmente extinguiu juridicamente a escravidão no País.
E mesmo assim fizeram a abolição sem oferecer à população negra recém-liberta condições mínimas de integração, terra, trabalho digno, educação ou qualquer estrutura estatal capaz de reparar séculos de exploração.
Ou seja: até quando o Brasil finalmente muda, muitas vezes muda tarde e deixa uma enorme conta para as gerações seguintes pagarem.
Na política parece acontecer algo parecido. Todo mundo fala em renovação, modernização e fortalecimento da democracia, mas, quando chega a hora de mexer nas estruturas que ajudam determinados grupos a permanecer décadas no poder, a conversa muda rapidamente.
E o eleitor?
Bem, o eleitor continua sendo chamado de quatro em quatro anos para decidir quem entra. O problema é que, depois que alguns entram, parece que descobrem todas as maneiras possíveis de nunca mais sair.
Vou te contar…








