

A campanha do governador Elmano de Freitas, ao analisar a postura adotada pelo oposicionista Ciro Gomes ao longo desta disputa eleitoral, parece ter decidido explorar um terreno ainda mais delicado: o comportamento do adversário. A estratégia passa a associar suas manifestações mais agressivas, explosivas e acusatórias à ideia de um suposto descontrole emocional.
Quem acompanha há décadas a trajetória política de Ciro Gomes no Ceará certamente se recorda de episódios marcados por destemperança, discussões acaloradas e confrontos verbais. São cenas que ajudaram a construir a imagem de um político de temperamento forte e que, agora, voltam ao centro da batalha eleitoral.
O próprio Ciro já falou publicamente, em outros momentos, sobre ter procurado apoio psicológico durante períodos difíceis de sua vida. Isso, evidentemente, não autoriza ninguém a atribuir-lhe qualquer transtorno ou diagnóstico. Uma coisa é recorrer a acompanhamento psicológico; outra, completamente diferente, é transformar isso em diagnóstico político.
Mas campanha eleitoral é campanha eleitoral, e os adversários perceberam justamente nesse ponto uma possibilidade de desgaste. A propaganda e as redes sociais passam, então, a explorar a narrativa de que Ciro estaria emocionalmente descontrolado diante dos rumos da disputa.
É um tipo de confronto que certamente torna a campanha ainda mais pesada, principalmente porque envolve uma história familiar conhecida dos cearenses. Ciro e Cid Gomes já protagonizaram divergências públicas profundas, embora sejam irmãos e tenham caminhado juntos durante boa parte de suas trajetórias políticas.

Daqui para a frente, portanto, a temperatura tende a permanecer elevada. Se as pesquisas e os acontecimentos da campanha aumentarem a pressão sobre os candidatos, cada declaração, reação ou novo embate poderá ser imediatamente transformado em munição pelos adversários.
Seria muito mais prudente que o debate permanecesse no campo político, das propostas, das realizações e das críticas que possam ser comprovadas. Saúde mental é assunto sério demais para virar diagnóstico de palanque.
No mais, assim vai caminhando a presente campanha política cearense: cheia de sururu, provocações, acusações e cada vez mais telequetizada.
Sorry, periferia política!!!!!








