

Desde o princípio da presente campanha política, venho prestando muita atenção ao desenrolar da bendita em Juazeiro do Norte. E uma coisa me chamou a atenção: os elmanistas locais sempre se entenderam legal, procuraram se acomodar numa boa, cada qual em seu cada qual. E sabem a razão disso?
Porque, no campo situacionista, existem lideranças com força e autoridade suficientes para desmanchar qualquer quiprocó que apareça no decorrer das acomodações políticas e desfazer mal-entendidos antes que eles se transformem em problemas maiores.
O resultado disso? Eis que surgem pesquisas apontando Elmano de Freitas, Lula da Silva, Cid Gomes e Luizianne Lins como campeões disparados de votos nas terras romeiras.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro, Ciro Gomes, Capitão Wagner e Alcides Fernandes experimentam índices desestimuladores. Também, pudera! Como se pode querer sucesso eleitoral numa cidade onde a oposição não acerta os passos?
O prefeito Glêdson Bezerra, nas últimas eleições municipais, conseguiu derrotar o candidato a prefeito ungido pelo Palácio da Abolição e ainda quebrou um tabu: o de que prefeito em Juazeiro do Norte não conseguia se reeleger. Glêdson não apenas se reelegeu, como impôs uma maioria estonteante sobre seus adversários.
O curioso é que aliados de Ciro Gomes em Juazeiro do Norte elegeram como adversário principal não Elmano de Freitas, Camilo Santana ou Cid Gomes, mas justamente o alcaide Glêdson Bezerra, que pertence ao mesmo campo político.
Sobre tudo isso conversei com o prefeito romeiro desde o início da campanha. Várias vezes sugeri que procurasse Ciro Gomes e relatasse essa situação desconfortável. Mas o próprio Ciro deveria ter tido a perspicácia de enxergar o sururu instalado em sua base juazeirense e intermediar uma solução para que a unidade falasse mais alto. Afinal de contas, candidatura sem unidade nunca vi, em lugar algum, prosperar.
E Juazeiro do Norte possui exemplos palpáveis de sobra.
Podemos citar a derrota de Salviano Sobrinho para Manoel Santana, do PT, partido que, naquela época, parecia não oferecer chance alguma de vencer uma eleição na cidade. Salviano, mesmo contando com o apoio de Tasso Jereissati e Ciro Gomes, acabou derrotado pelo candidato petista, que se beneficiou das divergências envolvendo o então prefeito Raimundo Macedo e encontrou as condições políticas necessárias para vencer aquela eleição municipal.
Outro exemplo vem dos irmãos Bezerra, que tinham no ex-governador Adauto Bezerra sua maior referência política. Com o rompimento do saudoso Leandro Bezerra, irmão de Adauto, começou a desdita no seio da família Bezerra de Menezes, que durante muito tempo dominou o poder local.
Como não houve condições de desfazer o problema familiar, foram para a eleição divididos e acabaram derrotados com a candidatura de Erivano Cruz. Do outro lado, Salviano Sobrinho contou, à época, com os apoios de Mauro Sampaio e Carlos Cruz.
Mais uma vez, a falta de unidade cobrou seu preço. Um grupo político tão forte quanto o comandado pelo ex-governador Adauto Bezerra acabou derrotado por um médico que, naquele momento, ainda possuía pouca expressão política e estava no começo de sua trajetória.
Por aí vocês podem tirar o que este colunista quer dizer.
Quando surge algum foco de fogo na política, ou as grandes lideranças correm em tempo hábil para debelá-lo, ou o incêndio toma conta do lugar. E aí, meus queridos, já viu, né? É devastação total.
Este é o primeiro recado político que pretendo deixar para vocês nesta terça-feira querida.
Fiquem atentos, porque, enquanto os cães ladram, a caravana passa. E passa bonitinha.
Sorry, periferia política!!!!







