

Mesmo tendo perdido a última eleição municipal para a oposição, o governador Elmano de Freitas (PT) e o senador Camilo Santana (PT) continuam muito queridos em Juazeiro do Norte.
O bloco oposicionista na cidade, formado pelo prefeito Glêdson Bezerra, pelo presidente afastado da Câmara Municipal, vereador Felipe Vasques, pelo ex-prefeito Salviano Sobrinho e pelo ex-deputado Vasques Landim, não está conseguindo transferir votos em quantidade suficiente para levar o candidato a governador Ciro Gomes (PSDB) a uma vitória no maior município do Cariri e um dos maiores do Ceará.
Na pesquisa AtlasIntel/Focus Poder divulgada ontem, quinta-feira, o governador Elmano de Freitas (PT) aparece com uma folgada vantagem sobre Ciro Gomes em um cenário de primeiro turno entre os dois candidatos na Terra do Padre Cícero.
Em Juazeiro do Norte, Elmano aparece com 56% das intenções de voto, contra 36% de Ciro Gomes. Uma diferença de nada menos que 20 pontos percentuais.
Fui assuntar na cidade para tentar descobrir a razão de o governador estar tão bem agora, quando seu grupo político se deu tão mal na última eleição para prefeito. Alguns entendidos da política juazeirense me disseram que boa parte da explicação passa pela enorme liderança exercida pelo senador Camilo Santana, não apenas em Juazeiro, mas em todo o Cariri.
Existe também o fator desunião da oposição. Enquanto Glêdson Bezerra governa enfrentando uma oposição que, em determinados setores, resolveu amenizar a barra para o lado do prefeito, dois de seus mais ferrenhos adversários são justamente próceres políticos ligados ao cirismo: Felipe Vasques e o vereador Lukão.
Quanto mais eles machucam politicamente o prefeito, mais o bloco oposicionista parece minguar na Terra do Padre Cícero.
E olha que este colunista, nas conversas que mantém com o prefeito Glêdson Bezerra, sempre chama sua atenção para essa situação. Afinal, bloco político desunido tem a cara da derrota.
Já em outra grande cidade do interior cearense, Sobral, parece estar faltando apenas um empurrãozinho maior do senador Cid Gomes para o quadro se transformar e Elmano de Freitas passar a liderar por lá, sobretudo porque a Zona Norte, como um todo, vem oferecendo bons resultados ao esquema governista.
Mas vamos aos números da AtlasIntel/Focus Poder em Sobral, tradicional base política de Ciro Gomes e de seus aliados. Por lá, a disputa está apertadíssima: Ciro aparece com 48,5%, enquanto Elmano registra 47,1%.
Quer dizer: praticamente um empate.
O lugar que ainda oferece maior substância eleitoral para Ciro Gomes é Fortaleza, que, na minha avaliação, precisa ser melhor trabalhada pelos governistas. A vinda do presidente Lula à Capital pode ser vital, pois, enquanto Elmano apresenta desempenho inferior ao desejado entre os fortalezenses, Lula continua demonstrando enorme força eleitoral por lá.
Quer dizer, um empenho maior de Lula, do próprio Elmano, do prefeito Evandro Leitão e da ex-prefeita Luizianne Lins — que, pelo que me disseram, anda muito bem perante o eleitorado fortalezense — poderá modificar esse cenário.
Resolvida a questão de Fortaleza, os governistas deverão voltar suas atenções para a Região Metropolitana, que ainda se mostra um pouco arredia ao projeto de reeleição do governador do Estado.
Mas nada que, em política, não possa ser modificado. Pelos números apresentados, Ciro aparece à frente nesse recorte, com 51,7%, contra 45,6% de Elmano.
Portanto, o mapa eleitoral começa a ficar bastante interessante. Elmano demonstra força em Juazeiro do Norte e no Cariri, aproxima-se perigosamente de Ciro em Sobral e ainda tem como principal desafio melhorar seu desempenho em Fortaleza e na Região Metropolitana.
A campanha está apenas mostrando que eleição se ganha com grupo unido, liderança política, estratégia e, principalmente, voto.
Eis, então, a análise que faço deste momento da eleição cearense.
Sorry, periferia política!!!!






