

O próximo presidente da República, em consonância com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e, evidentemente, respeitando os limites constitucionais e a atuação da Justiça, precisa colocar na pauta nacional, logo após as eleições, uma discussão séria sobre três questões que, na minha avaliação, precisam ser profundamente revistas: a distribuição de emendas parlamentares sem critérios suficientemente transparentes, o financiamento público das campanhas eleitorais e o instituto da reeleição para cargos do Executivo.
São mecanismos que, da maneira como vêm sendo conduzidos, alimentam uma percepção cada vez maior de desperdício e mau uso do dinheiro público. Enquanto uma parcela expressiva da população brasileira enfrenta dificuldades financeiras, enquanto saúde e educação públicas clamam por mais investimentos e enquanto milhões de aposentados sobrevivem com benefícios que mal conseguem acompanhar suas necessidades básicas, cifras bilionárias circulam pelo sistema político.
É uma realidade que merece reflexão. O dinheiro público precisa ser tratado como patrimônio da sociedade, submetido à transparência, fiscalização e critérios rigorosos de aplicação. Emendas parlamentares não podem se transformar em instrumentos de conveniência política; campanhas eleitorais precisam ser discutidas à luz de seus custos para o contribuinte; e a reeleição merece um debate nacional sobre seus efeitos na administração pública e na própria dinâmica das disputas eleitorais.
O Brasil necessita urgentemente discutir prioridades. O cidadão paga impostos e espera, em contrapartida, serviços públicos eficientes, segurança, saúde, educação, infraestrutura e condições dignas para quem trabalhou durante uma vida inteira e hoje depende da aposentadoria.
Ou os homens e mulheres públicos comprometidos com o interesse coletivo se organizam para enfrentar essas questões, ou crescerá ainda mais o sentimento de descrença de uma população cansada de assistir a disputas políticas enquanto seus problemas cotidianos continuam esperando solução.
A democracia precisa representar esperança, participação e confiança nas instituições. E isso somente acontece quando o cidadão percebe que aquilo que entrega ao Estado retorna em benefícios para a sociedade.
É preciso discutir seriamente esse assunto. E, sobretudo, chegar às urnas com consciência, responsabilidade e disposição para cobrar de quem for eleito compromisso verdadeiro com o dinheiro e o interesse públicos.
Vamos pensar seriamente sobre isso e fazer do voto um instrumento cada vez mais consciente.
Sorry, periferia!!!!





