

O estilo político adotado, desde priscas eras, pelo governamentável Ciro Gomes (PSDB/PL) jamais havia conseguido induzir lideranças do interior — e até mesmo da Capital — a reproduzirem a sua conhecida estratégia de confronto verbal. Isso porque o povo interiorano, aí incluída a própria classe política, não cultiva o hábito de viver cercado por advogados nem de frequentar tribunais para se defender de processos decorrentes de destemperos verbais.
Há ainda outro aspecto a considerar. Nossas cidades do interior são muito menores do que a Capital e, por essa razão, seus habitantes convivem como integrantes de uma grande família. Nesse ambiente, prevalece a disposição de preservar as relações pessoais e evitar comportamentos agressivos que comprometam a convivência coletiva.
No Crato, entretanto, o prefeito André Barreto e seu antecessor, José Ailton Brasil, ambos aliados, passaram a ser alvo de ataques sistemáticos por parte da oposição, que resolveu adotar um estilo de atuação semelhante ao consagrado por Ciro Gomes.
O ex-presidente José Sarney registra, em seu livro Marimbondos de Fogo, um conselho precioso para quem milita na vida pública: “Calar a boca livra a alma de grandes problemas.” Evidentemente, não se trata de defender que o político se transforme em um mudo. O saudoso ex-prefeito do Crato Raimundo Bezerra, homem de reconhecida sabedoria, traduzia a mesma ideia de forma ainda mais simples: “Para palavras loucas, ouvidos moucos.”
Essas reflexões me conduzem à postura adotada pelo presidente da Câmara Municipal do Crato, vereador Matheus Leite. Durante muito tempo, ele também foi alvo das provocações da oposição e, ao que tudo indica, esperava que seus adversários percebessem os limites da convivência política e alterassem o rumo de sua conduta. Como isso não ocorreu, decidiu reagir na mesma intensidade.
Matheus Leite atribuiu ao médico Aloísio Brasil a principal responsabilidade pelo clima de agressividade instalado no debate político local e respondeu com o mesmo expediente. Tornou públicos processos constantes da Certidão Criminal do médico e político cratense, envolvendo matérias como a Lei Maria da Penha, contravenção contra idoso e difamação.
Foi uma resposta dura. Afinal, acusações dessa natureza produzem inevitáveis desgastes na trajetória pública de qualquer agente político, sobretudo porque envolvem temas que a sociedade brasileira há muito se empenha em combater.
Ao agir dessa maneira, Matheus Leite deixou claro que, doravante, pretende responder a cada ataque na mesma proporção. Em outras palavras, anunciou a adoção da lógica do “toma lá, dá cá”. Trata-se, porém, de um embate potencialmente desigual. Na condição de presidente de um dos três Poderes do município, dispõe não apenas de maior projeção política, mas também da legitimidade institucional para organizar uma linha de defesa em favor da administração municipal e de seus representantes sempre que entender necessário.
Convém lembrar, contudo, o ensinamento frequentemente atribuído ao senador Cid Gomes: política não se faz com o fígado, mas com o coração. O adversário deve ser visto como circunstancial, jamais como inimigo pessoal. Afinal, a política é dinâmica. O adversário de hoje pode perfeitamente transformar-se no aliado de amanhã.
Por isso, não parece sensato cultivar animosidades permanentes nem romper pontes que, mais adiante, talvez precisem ser reconstruídas. O verdadeiro estadista preserva o diálogo, mesmo nos momentos de maior tensão, porque sabe que a convivência democrática exige firmeza sem abrir mão do respeito.
Vale recordar, por fim, um antigo lema da política brasileira que continua atual: “Paz e Amor; guerra, não, senhor.”
Sendo assim, estamos para lá de conversados.
Sorry, periferia política!







