

Pelo que se denota, o governável Ciro Gomes tomou como parâmetro duas eleições vitoriosas no Ceará para decidir refazer o caminho de volta à sua vida pública, iniciada de forma mais consistente quando foi eleito prefeito de Fortaleza e, logo depois, governador do Ceará.
Ele afirmou ter se inspirado nas eleições de Tasso Jereissati e Cid Gomes para o Governo do Estado, que começaram muito atrás nas pesquisas, enquanto seus adversários apareciam fortalecidíssimos. No entanto, quando Tasso Jereissati decidiu ingressar na política, o fez em um momento em que o Brasil estava tomado pelo sentimento de mudança. Após vinte anos de ditadura militar, o povo finalmente teria o prazer de voltar às urnas para escolher o seu próprio governador, e o coronel e ex-governador Adauto Bezerra que foi o seu adversário representava, para muitos, aqueles anos de chumbo vividos pelo país.
Por ser jovem, Tasso encarnou a imagem da renovação e das mudanças, transmitindo à população a ideia de que possuía capacidade para conduzir essa transformação. Tanto que seus slogans de campanha foram “O Governo das Mudanças” e “Coronéis Nunca Mais”. Além disso, contou com o apoio da máquina pública estadual, então sob o comando do governador Gonzaga Mota, que o apoiou incontinente, bem como com a conjuntura favorável proporcionada pelo presidente José Sarney. À época, o Plano Cruzado congelou os preços dos produtos e livrou o Brasil, ainda que temporariamente, de uma inflação draconiana. Foram vários os fatores que contribuíram para que Tasso Jereissati conquistasse e consolidasse o poder político e administrativo no Ceará.
E vale lembrar que o “Galego” permaneceu no comando da política cearense durante o mesmo período em que vigorou o ciclo dos coronéis: vinte anos. Nesse intervalo, Tasso governou o Estado por três mandatos, Ciro Gomes por um e Lúcio Alcântara por outro. Ao perceber que o eleitorado demonstrava sinais de desgaste após tanto tempo de predominância de seu grupo político, Tasso abriu mão do projeto de reeleição de Lúcio Alcântara e passou a apoiar, de forma discreta, a candidatura de Cid Gomes ao Governo do Estado, que também contava com o apoio de Ciro Gomes.
O eleitor cearense que acompanha a história política sabe que ciclos de poder costumam perder força após cerca de vinte anos, embora possam se prolongar quando liderados por figuras politicamente muito fortes, como José Sarney, no Maranhão; ACM, na Bahia; Renan Calheiros, em Alagoas; Miguel Arraes, em Pernambuco; Getúlio Vargas e Leonel Brizola, no Rio de Janeiro; Tancredo Neves e Juscelino Kubitschek, em Minas Gerais; e Lula, em São Paulo.

No Ceará, Elmano de Freitas está completando esse ciclo, pois já foram oito anos de Cid Gomes, oito de Camilo Santana e quatro de seu governo, totalizando vinte anos. Neste caso, porém, percebe-se um cenário diferente, já que os três continuam desfrutando de expressiva força política. Por outro lado, a oposição, representada por Tasso Jereissati e Ciro Gomes, também já viveu seu ciclo de aproximadamente vinte anos no comando da política estadual. Quanto à direita, que poderia representar uma novidade para inaugurar um novo ciclo, nas figuras de Capitão Wagner e André Fernandes, ainda não conseguiu transmitir confiança suficiente ao eleitorado e acabou preferindo entregar a bola da vez aos antigos caciques tucanos.
Daí decorre que uma eventual reeleição de Elmano poderá consolidar Camilo Santana como a principal liderança política de sua geração no Ceará e reforçar, ao mesmo tempo, o papel histórico de Cid Gomes na política estadual. Cid e Camilo têm em comum, além da amizade e da parceria política, resultados considerados expressivos nas áreas da economia e das políticas sociais.
Sorry, periferia: enquanto a cachorrada ladra, a caravana passa numa boa.







