

Maranguape, interior do Ceará, 1846.
Um imigrante português de apenas 17 anos desembarca com um sonho comum para a época. Ganhar a vida com agricultura. A seca chega e destrói a plantação inteira. Sobra apenas um alambique de cobre, esquecido num canto da propriedade.
Dario Telles resolve usar aquele equipamento parado. Destila o primeiro litro de cachaça. O produto cai no gosto da região. Nasce ali a Ypióca.
As gerações seguintes herdam o negócio, mas também herdam as crises. Em um dos momentos mais duros, um dos descendentes chega a vender lenha só para pagar dívidas deixadas pela geração anterior. Mesmo assim, cada geração entrega a empresa maior do que recebeu.
Nos anos 1970, Everardo Telles assume o comando com uma filosofia direta. Todo problema vira uma nova empresa. Faltava embalagem, veio a Iplastic. Faltava papelão, veio a Santelisa. Faltava água de qualidade, veio a Naturágua.
Em 2012, a Diageo, dona da Johnnie Walker, oferece cerca de R$ 900 milhões pela cachaça. A família aceita vender a marca e a operação de bebidas. Mas mantém o resto do grupo sob controle próprio. Sob a liderança de Aline Telles, o grupo reinveste mais de R$ 200 milhões em agronegócio, combustíveis, embalagens e turismo. O faturamento hoje ultrapassa R$ 1 bilhão por ano. Sem depender mais da cachaça que deu origem a tudo.
A verdadeira lição não é sobre vender caro. É sobre nunca deixar um único produto decidir o destino de um negócio.




