

Ciro Gomes e Tasso Jereissati nos primórdios de suas carreiras políticas
Quando Tasso Jereissati foi candidato a governador do Ceará pela primeira vez, desafiando o todo-poderoso da época, coronel Adauto Bezerra — que, além de já ter sido governador, deputado estadual e deputado federal (o mais votado de todos os tempos no Ceará), era, naquele momento, vice-governador de Gonzaga Mota —, indicado por este para a disputa governamental, ele contava com apenas dois prefeitos cearenses em seu apoio: o do Crato, o agropecuarista Walter Peixoto, e o de Juazeiro do Norte, o advogado Carlos Alberto da Cruz, que era liderado politicamente pelo deputado e líder juazeirense Mauro Sampaio.
Por conta disso, os três — Waltinho, Carlos e Mauro — recebiam do então candidato Tasso um tratamento de primeira classe. Para praticamente todas as cidades importantes do interior cearense, eles eram convidados a acompanhá-lo, pois serviam como referência maior para a campanha governamental. Os três também foram acionados para formar opinião junto aos demais prefeitos do Cariri, que estavam quase todos apoiando Adauto Bezerra.
Naquela época, Adauto tinha praticamente 100% dos prefeitos ao seu lado.
Rememoro essa história para falar sobre o pleito estadual deste ano no Ceará. Ciro Gomes, entre todas as grandes prefeituras do interior, conta apenas com a de Juazeiro do Norte. A capital está sob o comando do PT, tendo Evandro Leitão como principal liderança. Cerca de duas ou três outras prefeituras também o apoiam.
Diante desse cenário, Glêdson deveria estar sendo tratado com luvas de seda por Ciro e pelos demais integrantes da chapa majoritária. No entanto, o que se vê é uma bagunça instalada no cerne da aliança cirista, com desentendimentos entre os próprios aliados e um candidato a governador que tenta fazer vista grossa para o problema. Disseram-me que isso ocorre por ele não possuir a autoridade de liderança que deveria ter e também por não saber promover a unidade.
Tanto é assim que, por onde passou, saiu brigado e lançando impropérios contra aqueles que abandou. Fez isso com o PMDB de Eunício Oliveira, com o PSD de Domingos Filho, com o PT, com Lula, com Camilo Santana, com Izolda Cela e até com o próprio irmão, Cid Gomes. Por último, entrou em conflito com Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, e com toda a tropa pedetista cearense.
O prefeito de Juazeiro do Norte possui peso político suficiente para receber um tratamento altamente diferenciado. Ontem, uma pessoa de Fortaleza me ligou — um influente profissional da imprensa — dizendo que Glêdson deveria ficar atento a essa movimentação em torno das candidaturas a deputado federal no âmbito da Federação PSDB/Cidadania.

Tasso Jereissati, José Sarto Nogueira e Ciro Gomes
Segundo ele, a federação poderá eleger apenas um representante para a Câmara dos Deputados, e aquele que antes seria uma incógnita já está sendo muito bem desenhado. O ex-prefeito de Fortaleza, José Sarto, que muitos diziam estar abatido em razão da derrota na disputa pela Prefeitura da capital, estaria sendo politicamente revitalizado por Ciro Gomes e Roberto Cláudio para se tornar o campeão de votos da federação.
Nesse contexto, Lukão, por falta de melhor entendimento político, e Sandra Cavalcante, esposa de Glêdson Bezerra, estariam funcionando como “bucha de canhão” para que esse plano se concretize.
Seria bom que o prefeito Glêdson Bezerra abrisse mais os olhos para verificar se tudo isso que acabei de relatar possui alguma consonância com a realidade que ele enxerga, porque um chefe do Poder Executivo de uma cidade do porte de Juazeiro do Norte precisa ser tratado com o devido respeito político, e não como uma pessoa comum.
Sendo assim, estamos mais do que conversados.
Sorry, periferia política!!!



