

Dizem os mais próximos da candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará — pessoas de alto coturno político — que o próprio candidato, assim como o ex-senador Tasso Jereissati e Roberto Cláudio, pré-candidato a vice-governador na chapa da oposição, já avaliam que a aliança com o PL de Jair e Flávio Bolsonaro vem provocando um enorme desgaste na pré-candidatura de Ciro, por vinculá-lo aos bolsonaristas mais radicais. Além disso, sente-se no ar algo ainda pior nessa articulação.
O que está tirando o sono dos ciristas é o comentário que circula neste momento em Brasília, dando conta de que a candidatura de Flávio Bolsonaro estaria se desidratando, já que partidos do Centrão vêm se afastando dele após a crise provocada pelas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro. As legendas temem que novos casos venham à tona e acabem respingando também na estratégia eleitoral dos partidos, cujo principal objetivo é eleger o maior número possível de deputados e senadores. Há receio de que uma vinculação mais forte com Flávio prejudique esse plano.
Esse é justamente o temor que cresce entre os ciristas: o de que esse quiprocó bolsonarista acabe atingindo também Ciro Gomes e termine manchando até mesmo sua biografia política. Pelo andar da carruagem, Tasso e Ciro teriam se precipitado ao firmar essa aliança com o deputado federal André Fernandes, cujo estilo político difere bastante do perfil tradicionalmente adotado pelos dois líderes tucanos.
Para se ter uma ideia, André Fernandes seria tão carente de dimensão política que até mesmo seu pai, um simples deputado estadual sem grande destaque no Legislativo cearense ou perante a sociedade, foi incluído como parte de sua cota pessoal no tradicional “toma lá, dá cá” da aliança política com o PSDB.
Agora, o grupo estaria “sem mato e sem cachorro”, com André Fernandes prestes a desmoronar politicamente junto com Flávio Bolsonaro, o que seria péssimo para a aliança oposicionista.
Para se ter uma ideia de como andam ruins as coisas para o bolsonarismo em nível nacional, o PP, que já discutia diversos nomes para a vice, não deseja mais seguir nesse atrelamento, pois deputados e senadores do partido demonstram resistência em compor uma chapa envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Diante desse cenário, voltou a ser cogitado o nome da vereadora de Fortaleza Priscila Costa, pré-candidata ao Senado, para ocupar a vaga de vice de Flávio, diante da falta de nomes dispostos a assumir a posição. Sua escolha também resolveria uma divergência no palanque de Flávio no Ceará, já que ela disputa a indicação ao Senado pelo partido com o deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André Fernandes.
Priscila é o nome preferido da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro para o Senado, enquanto Alcides Fernandes tem recebido acenos de Flávio Bolsonaro. A própria Michelle também chegou a ser citada como possível candidata a vice, mas integrantes do PL consideram essa hipótese difícil, já que ela estaria afastada de Flávio e concentrada nas articulações políticas no Distrito Federal, onde deverá disputar uma vaga no Senado.
E assim segue o cirismo no Ceará, vislumbrando, a cada momento, a possibilidade de que a pré-candidatura de Ciro Gomes não chegue sequer até o prazo previsto para a realização das convenções partidárias que oficializarão os nomes dos candidatos que entrarão na disputa eleitoral.





