PAES DE ANDRADE: UM GUERREIRO BRAVO PELA REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRA E AMIGO DE MARCOS PEIXOTO

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Grande Paes de Andrade: “Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós e que a nossa igualdade seja sempre a nossa voz…”

Sempre fui admirador do Paes de Andrade. Era o tipo de político que externava firmeza de opinião, caráter e exemplo benfazejo de homem público.

Teve atuação destacada na luta pela redemocratização do Brasil na década de 1980. Pertencia ao grupo intelectual e negociador da transição da ditadura para a democracia. Após a vitória desse movimento, Paes de Andrade foi contemplado, poucos anos depois, com a presidência da Câmara dos Deputados. Natural de Mombaça, exerceu interinamente a Presidência da República durante viagens internacionais do presidente José Sarney.

Como deputado federal e presidente da Câmara, teve papel crucial na liberação de recursos e na autorização do projeto do Açude Castanhão.

A ideia da construção do Castanhão já era cogitada desde 1910, mas, no período mais recente, foi a partir de 1985 que o projeto começou a ganhar forma.

Em julho de 1989, quando o então presidente do Brasil, José Sarney, viajou para Paris acompanhado de uma comitiva para as comemorações do bicentenário da Revolução Francesa, o cearense Paes de Andrade assumiu interinamente a Presidência da República e aproveitou a oportunidade para autorizar o lançamento da licitação da maior barragem do Brasil.

Aproximação de Marcos Peixoto com Paes de Andrade

Quero destacar que minha admiração por Paes de Andrade vinha desde a adolescência, quando estudava em Fortaleza. Tanto que meu primeiro voto foi para ele, quando da disputa em eleição direta para a prefeitura de nossa capital. Era uma eleição que começou apontando para uma vitória retumbante, mas terminou com um resultado inesperado: saiu vencedora Maria Luiza Fontenele, do PT, a única candidata mulher e também a única política do Partido dos Trabalhadores a vencer uma eleição em uma capital brasileira naquele período.

O tempo passa, o tempo voa. Com a ascensão de Itamar Franco à Presidência da República, após o impeachment de Fernando Collor, o grande Paes de Andrade foi convidado a assumir a embaixada do Brasil em Portugal.

Foi então que surgiu a ideia de iniciar um projeto de realização de festas internacionais aqui no Crajubar. Por intermédio de meu tio, Edilmar Norões — jornalista famoso na época e amigo de Paes de Andrade — consegui todo o apoio do consulado de Portugal para a realização do evento.

O cônsul português em Fortaleza, de nome Francisco — cujo sobrenome infelizmente não recordo — recebeu instruções de Paes de Andrade para me oferecer toda a estrutura necessária ao sucesso da festa. Consegui dançarinos para se apresentarem no Buffet Aquarius, antiga boate de mesmo nome, além da disponibilidade de vinhos portugueses acompanhados por um sommelier, uma cozinheira especializada em cardápio lusitano e outros itens necessários à realização de uma autêntica festa portuguesa.

Foi, sem dúvida, uma grande celebração.

Tudo estava acertado para que Paes de Andrade comparecesse ao evento, mas era início de setembro e, como esse mês é dedicado, em Portugal, às homenagens pela independência do Brasil, naturalmente o embaixador precisava permanecer no país para receber, em nome da nação brasileira, todas as homenagens oficiais.

Mesmo assim, o velho e bondoso Paes fez questão de gravar um vídeo para a embaixada me enviar, contendo seu depoimento sobre a importância do evento e explicando o motivo de sua ausência. O próprio Paes me orientou a apresentar essa gravação ao vivo em um telão montado exclusivamente para a ocasião.

Depois disso, minha aproximação com Paes de Andrade se intensificou. Quando fui trabalhar no jornal O Estado, graças também à proximidade com Ricardo Palhano, dono e presidente do veículo de comunicação, nossa amizade tornou-se ainda mais forte. Sempre que eu chegava a Fortaleza, participava de mesas de debate, conversas e bebericagens na companhia do embaixador. Em várias ocasiões, esses encontros aconteciam no próprio apartamento de Paes de Andrade, localizado na aprazível Praia de Iracema.

Sua morte abalou profundamente.

E assim consegui, pela primeira vez, escrever neste espaço jornalístico sobre minha amizade com o velho Paes de Andrade, uma das figuras mais proeminentes da República brasileira.

Feliz quarta-feira — e sorry, periferia política.

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Um dia acordei para ‘jornalizar’ a vida com os meus leitores. Nesta época trabalhava no extinto jornal Tribuna do Ceará, de propriedade do saudoso empresário José Afonso Sancho. Daí me veio a ideia de criar o meu próprio site. O ponta pé inicial se deu com a criação do Caririnews, daí resolvi abolir este nome e torna-lo mais regional, foi então que surgiu O site “Caririeisso” e, desde lá, já se vão duas décadas. Bom saber que mesmo trabalhando para jornais famosos na época, não largava de lado o meu próprio meio de comunicação. Porém, em setembro de 2017 resolvi me dedicar apenas ao site “Caririeisso”, deixando de lado o jornal Diário do Nordeste, onde há sete anos escrevia uma coluna social…

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