

Existem candidatos e candidatos ao Senado da República no Ceará neste ano de 2026. Há alguns que se destacam por natureza; outros, sem eira nem beira, que tentam pegar carona no momento fragmentado da política cearense entre aliados até recentemente — leia-se Ciro Gomes, Camilo Santana e Cid Gomes. E há também aqueles que são mais sujos que poleiro de galinheiro quqrendo chegar lá.

Senador Cid Gomes
O atual senador Cid Gomes, sempre favorito nas pesquisas de opinião, é um homem sério, honesto, inteligente e cheio de boas intenções. No entanto, ao que se percebe, não apreciou muito a experiência de morar em Brasília. Cumpriu o mandato sem aquele sabor de sucesso que costuma imprimir em tudo o que faz e assume. Tanto que, no início das especulações sobre quem toparia entrar nessa disputa, afirmou, de forma altiva, que não desejava mais se recandidatar.

O tempo passa, o tempo voa, e nada de surgirem candidatos à altura da disputa. Vale lembrar que neste ano serão eleitos dois senadores. Surgiu então um tal de Alcides Fernandes, deputado estadual apagadíssimo, protestante de ocasião, fabricado até o pescoço, sem dimensão para a função e cujo maior predicado para almejar posição de tamanha relevância é ser pai do invertebrado André Fernandes. Isso é predicado suficiente para disputar uma vaga no Senado da República?

Temos também o ex-senador Eunício Oliveira, atual deputado federal e presidente do MDB, sonhando em voltar ao posto que o saudoso ex-senador Virgílio Távora afirmava ser o céu na Terra. Eunício deseja reviver seus tempos áureos como presidente do Senado. Envolto em histórias mal explicadas e suspeitas de transações nada republicanas, parece estar perdendo espaço. Já admite sair da disputa e tentar a reeleição como deputado federal — e, quem sabe, alcançar a presidência da Câmara dos Deputados.

O deputado federal petista José Nobre Guimarães, que em 2023 se lançou como candidatíssimo ao Senado por entender que sua contribuição na Câmara já estava cumprida, ao sentir o peso de denúncias envolvendo malversação de recursos públicos, decidiu recuar. Aceitou integrar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro e hoje demonstra satisfação, sobretudo pela proximidade com seu maior ídolo político.

Temos ainda, nesse jogo de “ser ou não ser”, a candidatura de Junior Mano, jovem oriundo da pequena cidade de Nova Russas, onde foi prefeito, tornando-se depois deputado federal e elegendo, em seguida, a própria esposa em sua terra natal. Enfrenta acusações de uso indevido de recursos públicos, que nem mesmo seu padrinho político, Cid Gomes — dono de reputação ilibada — tem conseguido dissipar. Diante das dificuldades para emplacar o pupilo, Cid já admite que poderá ele próprio entrar na disputa, o que seria visto como positivo para o Ceará, dada sua experiência e reconhecida capacidade política.

Chiquinho Feitosa é um grande empresário. Não pesa sobre ele nenhuma acusação que desabone sua reputação de homem honesto. Amigo e ex-cunhado do ministro decano do STF, Gilmar Mendes, carece, entretanto, de capilaridade política para se viabilizar nessa disputa. Pode acabar se contentando com uma vaga de primeiro suplente em eventual candidatura de Cid Gomes, que, ao se afastar eventualmente do cargo, lhe permitiria exercer a função que tanto almejou.

Desponta também como candidata a ex-prefeita de Fortaleza, jornalista Luizianne Lins. Petista de origem, migrou para o partido REDE em busca de maior solidez política para sustentar sua candidatura. Amiga de Lula e do governador Elmano de Freitas, é desafeta de Camilo Santana, mas possui forte capilaridade eleitoral. Aparece nas pesquisas em terceiro lugar, próxima de Cid Gomes e do Capitão Wagner, que ocupam a liderança.

Falando em Capitão Wagner, ele ainda oscila entre disputar o Senado ou retornar à Câmara Federal. Carrega a imagem de político que começa bem, mas perde força na reta final das disputas majoritárias — um dilema recorrente em sua trajetória.Devemos considerar também a possível candidatura do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. Embora visto como um gestor competente, há críticas de que teria incentivado divisões políticas para avançar em seus projetos. Cid Gomes e aliados o acusam de ter influenciado Ciro Gomes em 2022, provocando um rompimento com Camilo Santana. Diante de um cenário desfavorável, Roberto Cláudio tende a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Nem mesmo uma eventual candidatura de Ciro ao governo estadual o atrai como vice.

Por fim, temos as possíveis candidaturas do general Theóphilo e da vereadora Priscila Costa. O general, apoiado no passado por Tasso Jereissati, já disputou o governo do estado, levando sua candidatura até o fim, mesmo diante de dificuldades. É um homem correto e determinado, atualmente cotado para compor chapa com o senador Eduardo Girão. Já Priscila Costa, embora tenha seus méritos, baseia fortemente sua candidatura no apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Eis, portanto, o quadro — nu e cru — da eleição para o Senado no Ceará em 2026. Espero ter contribuído para uma melhor compreensão do cenário por parte dos eleitores.
UM MINUTO, POR FAVOR: A nova pesquisa do Instituto Quaest/Genial, divulgada nesta quinta-feira, trouxe números que movimentam a corrida pelo Senado no Ceará e indicam um cenário de forte equilíbrio entre os principais nomes. O senador Cid Gomes aparece com 17% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Capitão Wagner, que também soma 17%. Logo atrás, Luizianne Lins registra 9%. Os dados apontam uma disputa aberta, sem favorito isolado, e com margem para mudanças ao longo do período eleitoral.





