

Meus leitores e minhas leitoras, tenham um bom dia.
Existem, no Cariri, alguns políticos que não entendem direito como devem se comportar diante de seus liderados quando já não contam com o suporte das ferramentas do poder que lhes proporcionavam aquela sensação de “super-homem”.
Falo de políticos que têm atuação limitada em seus municípios e que, por sorte do destino, chegaram ao posto político máximo, que é a condição de prefeito. Mas, para chegarem lá, contaram com todo o empenho de uma abnegada equipe, cujos integrantes se despojaram de tudo em suas vidas para se dedicarem a ajudá-los a alcançar o comando maior de suas cidades.
No entanto, essas pessoas, ao se entregarem de corpo e alma na luta pela concretização desse tão desejado patamar político, de uma maneira ou de outra pagaram muito caro por essa ousadia. Daí, nada mais natural que, ao conquistarem tal meta, sejam convocadas pelo novo poderoso de plantão para ajudá-lo na nova empreitada.
Por possuírem em suas veias o DNA político, muitos desejam assumir alguma função no âmbito da administração nascente, com a clara intenção de se sobressaírem politicamente e, quem sabe, chegar aos postos de vereador, vice-prefeito ou até prefeito — nada mais natural do que sonhar. Outros, ao ingressarem nessa missão de ascensão ao poder pelas mãos de um líder maior, o fazem com a intenção de encontrar uma maneira de sobreviver materialmente e até de mostrar algum talento que, até então, não conseguiram colocar em evidência.

É assim que funciona a engrenagem para a tomada de poder em uma cidade. Ninguém chega ao topo sozinho; a meta é sempre alcançada com a colaboração de outros atores.
Estou escrevendo estas bem traçadas linhas para alertar alguns políticos caririenses que, na atualidade, se encontram fora das estruturas das máquinas públicas, tudo por obra e graça da população, que resolveu colocá-los na posição de oposição em seus municípios. No entanto, muitos, ao se depararem com esse tipo de situação, não conseguem compreender que uma coisa é enfrentar uma eleição de posse da máquina pública, pois as colaborações vêm espontaneamente de seus correligionários, afinal, estão gozando de prestígio dentro da estrutura de poder.
Mas, estando essas lideranças no campo oposicionista, ao chegar uma eleição estadual proporcional — em que as lideranças municipais são chamadas a atuar como condutoras de seus liderados para o trabalho de montagem da estrutura necessária à busca efetiva de votos para deputado estadual ou federal —, é claro que o grupo que as cerca deseja ser contemplado com o mesmo aparato financeiro de que o líder dispôs. Afinal, voto não se conquista apenas na lábia; há toda uma estrutura a ser montada para que esse processo ganhe visibilidade e produza o efeito desejado tanto por quem financia quanto por quem se propõe a liderar o trabalho de transferência de votos.
No entanto, tenho conhecimento de que existem líderes municipais que negociam com candidatos a deputado estadual e federal, garantem a “bufunfa” pelo seu trabalho e chegam aos seus liderados pedindo sacrifícios e desprendimento financeiro, prometendo-lhes dividendos futuros, caso seus candidatos venham a alcançar cadeiras na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal.
Outros, ao perceberem que esse tipo de argumento não funciona, recorrem à alegação de que, quando estavam no comando das máquinas públicas municipais, concederam aos seus aliados funções que lhes renderam prestígio e ganhos financeiros. Não é por aí, pois, se alguém foi contemplado dessa forma, foi por merecimento, em razão de sua contribuição para que esses líderes alcançassem o ápice do poder.
Querer ganhar sozinho não é a melhor solução. O ideal é valorizar a todos com as estruturas financeiras que toda campanha política exige. Do contrário, todos cruzarão os braços e deixarão o antigo líder com a tarefa de montar sozinho o esquema de captação de votos — e esse, com certeza, não é o melhor caminho.
Sendo assim, estamos mais do que conversados.
Sorry, periferia política!






