

Observando atentamente o atual momento da política cearense, Ciro Gomes deve estar com uma pulga atrás da orelha. Até agora, as adesões que lhe chegam são, em sua maioria, de quinta categoria ou coisa que o valha.
Não se viu, até o momento, nenhuma figura de real expressão política formalizando apoio. O que aparece são oportunistas de direita, como André Fernandes e seu pai, Alcides, que finalmente se desnudaram e mostraram suas verdadeiras faces. O Capitão Wagner, por sua vez, parece pensar apenas em dois objetivos: eleger-se senador na esteira de Ciro Gomes e reeleger sua esposa, Dayany Bittencourt, para a Câmara Federal — mesmo depois de ela já ter demonstrado não possuir aptidão para o métier político.
Convém lembrar que, na eleição passada, o Capitão se lançou candidato ao governo do Estado, mas teve o cuidado de montar um “plano B”. Não se elegeu governador, é verdade, mas também não saiu no prejuízo: preservou espaço na Câmara Baixa por meio do mandato da esposa. Um cálculo frio, típico de quem pensa antes de tudo no próprio bem-estar político.
Mas vamos ao que interessa. À exceção do prefeito romeiro Glêdson Bezerra — o único prefeito de fato a declarar apoio a Ciro Gomes — o que se vê é um amontoado de vice-prefeitos, aderindo ao hipotético candidato esquerdista travestido de direitista. São figuras que não se conformam com a condição de vice e tentam, pela porta dos fundos, criar espaço para dar um golpe político em seus próprios prefeitos.
Há também aqueles que, percebendo ser impossível alcançar o comando máximo da política local por conta própria, agarram-se a Ciro Gomes como última tábua de salvação. Sabem que, sozinhos, jamais chegariam ao poder em seus municípios. Daí o irmão rebelde de Cid Gomes passar a povoar seus horizontes políticos. Temos também uns ex-prefeitos cheirando a naftalina tentando ressuscitar.
Ciro, que não é besta nem anda para trás, observa essa movimentação com olhos de lince. Sabe que muitos desses “novos aliados” pretendem transformá-lo em bucha de canhão para satisfazer ambições pessoais em suas comunas. Não é à toa que jornalistas e políticos amigos meus em Fortaleza comentam que essas figuras parecem achar que Ciro Gomes é uma anta.
Longe disso. Filho do doutor José Euclides Gomes e de dona Maria José, Ciro não bota a mão em cumbuca. Deve pensar, com seus botões, que não chegou até aqui para servir de escada a aventureiros. Sendo assim, estamos mais do que conversados.
Sorry, periferia política!






