
Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu, a gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu, a gente quer ter voz ativa no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá…(royalties para o cantor e compositor Chico Buarque). Isso mesmo, quando lembro da excelência que era ser amigo do grande político Paes de Andrade bate este estado emocional que o cantor Chico Buarque de Holanda exprime tão piedosamente em sua música “Roda Viva.”
Costumava me reunir com outros colegas de jornalismo fortalezenses com o velho Paes de Andrade em seu apartamento da Praia de Iracema para papear e tomar umas e outras sem sair do passo. Éramos eu, Macário Batista, Ricardo Palhano(que já se foi e deve está hablando com Paes lá num cantinho alto do céu), Dorian Sampaio Filho e outros colegas de profissão. Dona Zildinha, viúva do Paes de Andrade, dificilmente sentava conosco, pois outras comédias sociais preferia curtir ao lado das filhas ou das amigas. O anfitrião era um grande papo, dava gosto ficar calado e apenas ouvindo as conversas por ele abordadas. Afinal, tratava-se de um homem altamente inteligente e por dentro de todas as nuances da Nova República a qual continuamos vivando atualmente.

Saudoso Paes de Andrade na sacada de seu apartamento da Praia de Iracema em Fortaleza
Lembro-me que realizei uma de minhas festas aqui no Crajubar e resolvi como era um mês de setembro, homenagear a independência do Brasil de Portugal. Na época o Paes de Andrade era o embaixador do Brasil naquele País que nos descobriu, dai recorri ao amigo para me apoiar na feitura da homenagem, pois o evento iria ser uma festa portuguesa com certeza, seria com certeza uma festa portuguesa. Paes me encaminhou ao cônsul de Portugal em Fortaleza(de nome Francisco) e em chegando ao encontro do cidadão, fui muito bem recebido e consegui todo o apoio do mundo. Enviou-me um ônibus com banda e dançarinos(as) portugueses para em minha festa se apresentarem, forneceu-me sommelier para cuidar dos vinhos e até cozinheiro para nos garantir a gastronomia genuinamente portuguesa.
Só me ressenti de uma coisa, pois o Paes que havia prometido vir não pôde comparecer, pois na mesma semana da minha festa, Portugal mantém a tradição de promover homenagens ao Brasil pelo descobrimento e pela independência de nossa pátria e o embaixador de plantão deve está presente. Mesmo não vindo, lembro-me, recebi de meu tio Edilmar Norões(in memoriam) uma telefonema no período da noite, para me comunicar que estava jantando com o Paes de Andrade em um restaurante de Brasília, acho que era o Piantela, e o mesmo queria bater um papinho comigo. No telefonema, justificou-me a ausência, mas que iria fazer uma filmagem contendo uma mensagem homenageando a minha iniciativa e me remeteria para que eu a colocasse num telão para deleite dos convivas. E assim o fez e assim fiquei mais uma vez eternamente grato a esta figura que tanta falta nos faz neste mundo. Fiquem atentos, porque em sociedade de tudo se sabe. Sorry periferia!!!!!






